Que saudades eu já tinha…

Que saudades eu já tinha…

Que saudades eu já tinha de ver o povo feliz e orgulhoso, após a vitória da selecção nacional de futebol no Euro 2016.

Não foi uma felicidade provocada pelo aumento dos seus bens materiais, das suas condições de vida ou da superação de muitas das suas necessidades básicas.

Esta felicidade também não residia somente no simples prazer de apreciação de uma competição desportiva, ela era muito mais do que isso. Essencialmente, a alegria do povo foi gerada pelo sentimento de que, com a vitória da equipa nacional, repunha-se o orgulho de ser português.

Os portugueses transferiram a sua representação patriótica para os onze jogadores que, em campo, lutaram até à exaustão para corresponder à responsabilidade que lhes foi atribuída. E saíram vencedores!

Esta vitória da selecção nacional de futebol no Euro 2016 foi a celebração da esperança na nossa capacidade de superação das dificuldades, que muitos já julgavam perdida por falta de ânimo de um povo que tem vivido em martírio permanente. Por isso, a felicidade e o orgulho sentidos ultrapassou a dimensão de um simples jogo de futebol, tornando-se num elixir da nossa auto-estima.

Durante toda esta competição, o povo, mas essencialmente os nossos emigrantes em França, brandiram a nossa bandeira com garra e gritaram com imenso fervor patriótico o nome de Portugal.

Se alguém tinha dúvidas sobre o sentir da portugalidade de todas estas várias gerações de emigrantes, que residem e trabalham em território francês há décadas, estes homens e mulheres demonstraram, com o seu apoio inequívoco à equipa nacional, o amor à pátria “dos seus igrejos avós”. E porque a vitória de Portugal foi sobre a selecção francesa o júbilo destes emigrantes foi ainda maior. Tratava-se de um “ajuste de contas”, não só desportivo mas também e superiormente social.

“Les petits portugais”, quase sempre bem tolerados na sociedade francesa desde que, salvo algumas honrosas excepções de perseverantes lusitanos, integrem os mais baixos escalões sociais do País e que são essenciais à sociedade local, ergueram-se grandes, desafiando os preconceitos sociais existentes e demonstrando que também podem ter um lugar entre os maiores, senão mesmo vencê-los. Mais não seja, no futebol.

Mas este orgulho de pertença a uma história comum, agora avivada com esta vitória desportiva e que alastrou por todo o universo onde se encontram os portugueses, foi ainda mais longe, atingindo as populações das antigas colónias portuguesas, que manifestaram ruidosamente a sua alegria pela vitória nacional. Demonstraram que a amizade perdura entre os povos unidos pela mesma língua e percurso histórico, independentemente das circunstâncias políticas ou geográficas que os separam.

Durante a competição Portugal riu, chorou, praguejou e os jogadores e sua equipa técnica sagraram-se campeões.

Mas esse Portugal, que vimos na recepção aos vencedores em Lisboa, é igualmente um campeão. Campeão de sentimentos genuínos de afecto e gratidão, retribuindo generosamente o que de bem lhe fazem.

No regresso a Portugal e perante a tamanha manifestação popular que os esperava, os nossos desportistas sentiram o pulsar de uma nação agradecida. Riu-se e chorou-se mais do que durante todo o torneio, marcando profundamente o carácter dos atletas para toda a sua vida profissional e pessoal.

O povo uniu-se para além das suas preferências clubistas, porque o que se festejava era Portugal.

Seria importante que muitos dos políticos nacionais conseguissem retirar algumas ilações deste acontecimento desportivo, assumindo uma unidade exemplar perante o interesse nacional.

Algumas das instituições da União Europeia estão a decidir se devem sancionar o País pelos maus resultados de 2015. Alguns querem tirar-nos a “Taça”, estragando-nos a festa…

Veremos o que se vai passar. De uma coisa já temos a certeza: se formos todos a “jogo”, ao pontapé, somos campeões.

LUIS BARREIRA

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