Papa afirmou em vídeo-mensagem

«Escravatura não é coisa de outros tempos»

«Escravatura não é coisa de outros tempos»

O Papa Francisco alertou, na passada segunda-feira, para a persistência do fenómeno da escravatura, sob várias formas, e apelou a uma acção comum dos cristãos para travar o tráfico e a exploração de seres humanos.

«A escravatura não é coisa de outros tempos, é uma prática que tem profundas raízes e se manifesta ainda hoje de várias formas: tráfico de seres humanos, exploração do trabalho através de dívidas, exploração de crianças, exploração sexual e trabalho doméstico forçado são algumas das muitas formas. Cada uma delas é mais grave e desumana do que a outra», advertiu, numa vídeo-mensagem divulgada pelo Vaticano.

A intervenção dirigiu-se aos participantes no II Fórum Internacional sobre a escravatura moderna, iniciativa ecuménica que decorreu em Buenos Aires.

O Papa, antigo arcebispo da capital argentina, sublinhou que os líderes cristãos partilham a «mesma preocupação» com as vítimas destes abusos, lamentando a «indiferença» perante estes casos.

O fórum “Velhos problemas no novo mundo” decorreu até terça-feira, com organização da arquidiocese ortodoxa de Buenos, guiada pelo Metropolita Tarasios, e pelo Instituto Ortodoxo “Patriarca Atenágoras” de Berkeley, Califórnia, com o patrocínio do Patriarcado Ecuménico de Constantinopla.

A mensagem do Papa Francisco citou estatísticas recentes, segundo as quais existem actualmente «mais de quarenta milhões de pessoas, homens, mas principalmente mulheres e crianças, em situação de escravidão».

O pontífice defendeu a importância de «conhecer o tema» e de «agir» em favor das vítimas, defendendo os seus direitos.

«Ninguém pode ficar indiferente e, de algum modo, cúmplice desse crime contra a humanidade», observou o Papa, com um apelo a «impedir que os corruptos e os criminosos escapem da justiça e mantenham o controlo sobre as pessoas escravizadas».

Francisco assinalou que quando os países vivem situações de pobreza extrema, violência ou corrupção, não conseguem «garantir a segurança, os bens e os direitos essenciais».

«O crime organizado e o tráfico ilegal de seres humanos escolhem as vítimas entre as pessoas que hoje possuem meios escassos de subsistência e menos esperança pelo futuro», entre os «mais pobres, marginalizados e descartados», alertou.

Educação e trabalho são as propostas de Francisco para responder aos desafios colocados pelas situações de escravatura moderna, numa colaboração ecuménica «para superar as desigualdades e discriminações».

In ECCLESIA

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