Olhando em Redor

Conheço-lhes as palavras, espero as boas acções

Conheço-lhes as palavras, espero as boas acções

O Chefe do Executivo, Chui Sai On, foi na passada quarta-feira responder às perguntas dos deputados na Assembleia Legislativa (AL), sendo de realçar dois importantes pontos que saíram do seu discurso: o fim da crise económica e a preocupação em saber por que razão a população apresenta índices de felicidade insatisfatórios.

O fim de uma recessão económica é sempre vista como um indicador positivo para qualquer país ou região, visto dar confiança aos mercados e potenciar a iniciativa privada. Tratando-se do “microcosmos” chamado RAEM, há que ter redobradas cautelas porque este factor positivo também se pode tornar prejudicial às classes mais vulneráveis, ou seja, a média e a baixa.

Por outras palavras: não havendo uma conveniente fiscalização, nem a introdução de medidas que melhor regulem vários sectores considerados fulcrais para a vida em sociedade, como são o imobiliário, os bens de consumo de primeira necessidade, os cuidados de saúde, os transportes públicos e o sector ambiental, entre outros, não tenho dúvidas que vão aparecer clivagens que poderão pôr em causa a harmonia social.

É simples chegar a esta conclusão, dado que o principal motor da economia – o Jogo está em alta há um ano – alavanca o imobiliário e os bens de consumo – dois sectores com bastante peso na carteira da população, – contribuindo assim para a exponencial subida do custo de vida. Não é preciso qualquer estudo científico para saber que esta é uma das razões para que o índice de felicidade da população não seja assim tão satisfatório. Assim como acontece com os preocupantes níveis de poluição que atingem diversas áreas da Península de Macau, algumas das quais densamente povoadas, entrando aqui a gritante falta de medidas para o sector ambiental.

Os cuidados de saúde no hospital público ainda deixam a desejar, estando para as calendas a construção da nova unidade hospitalar nas ilhas, com reflexo negativo para a felicidade da população. Já para não falar das alternativas fora da indústria do Jogo, ao nível do entretenimento e das opções culturais, no primeiro caso em clara recessão e no segundo caso com algumas melhorias, embora ainda não satisfatórias. A falta de espaços verdes e de instalações desportivas são outras razões que contribuem para a pouca felicidade da população, maioritariamente constituída pelas classes média e baixa. E há que ter em conta que nem todos têm “casa do Estado”, habitação própria ou habitação pública.

Tudo isto são motivos que vários membros do Executivo, assim como muitos deputados e homens de negócios, embora com palavras de circunstância em sentido contrário, têm bastante dificuldade em ter em conta.

PEDRO DANIEL OLIVEIRA

pedrodanielhk@hotmail.com

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