Olhando em Redor

OLHANDO EM REDOR O Catolicismo na Ásia

O Catolicismo na Ásia

As Filipinas são «um país especial na Ásia. Isto é uma dádiva especial de Deus, uma bênção especial e também uma vocação. Os filipinos são chamados a serem extraordinários missionários da Fé na Ásia», disse o Papa Francisco na missa da Festa de Santo Niño, celebrada no passado Domingo, perante cerca de seis a sete milhões de devotos que compareceram no Rizal Park (Luneta), no penúltimo dia da visita do Santo Padre àquele país asiático.

A área de Metro Manila, correspondente a dezasseis cidades e uma municipalidade da Região Capital Nacional das Filipinas, teve o condão de me transportar para vários pontos do planeta devido aos variadíssimos estilos arquitectónicos com que nos deparamos.

Quando andei por algumas partes de Quezon City tive a impressão de estar algures em Banguecoque, mas ao passar pelo distrito financeiro de Bonifacio Global City, integrado em Taguig City, fui confrontado com o acelerado desenvolvimento de construção urbana a fazer lembrar um misto de Singapura e de Hong Kong, com algumas reminiscências do NAPE de Macau.

A zona antiga de Intramuros, em Manila City, é marcada pelos edifícios de pouca altura de traça colonialista em tudo semelhantes ao que os espanhóis deixaram na América Latina.

Também muitas ruas e avenidas com nomes latinos espalhados pela zona metropolitana de Manila, alguns dos quais referentes ao navegador português Fernão de Magalhães, que ao serviço da coroa espanhola chegou a Cebu, onde faleceu durante a viagem de circum-navegação, transportou-me para essa estranha sensação de, por vezes, não estar propriamente na Ásia.

As Filipinas são o único país do continente asiático onde a maioria da população professa o Catolicismo (80%), em muito devido à herança religiosa deixada por Fernão de Magalhães que ao chegar a Cebu, corria o ano de 1521, persuadiu o chefe tribal Rajah Humabon e a sua mulher a tornarem-se aliados de Espanha, sendo depois baptizados com os nomes católicos de Carlos e Juana, em homenagem ao rei espanhol Carlos V e à sua mãe Joana de Castela.

Após o baptismo foi Antonio Pigafetta, cronista italiano desta expedição espanhola, quem a mando de Fernão de Magalhães ofereceu a imagem do Santo Niño à rainha Juana, como símbolo da nova aliança. Outra expedição espanhola chegou em 1567 e um marinheiro da frota de Miguel Lopez Legazpi, chamado Juan Camus, encontrou a imagem que se acredita ser a que Fernão de Magalhães mandou oferecer aos então novos aliados de Espanha. Além de perdurar até aos nossos dias, o Santo Niño representa o esplendor da devoção dos filipinos pelo Catolicismo.

Comprovei este facto quando no passado Domingo vi réplicas da imagem – o original está na Basílica de Cebu – nas mãos de dezenas de milhares de devotos que vieram do Norte, do Centro e do Sul do País para darem testemunho da sua fé na maior missa do mundo alguma vez celebrada.

Também percebi que não há outra nação no globo, e nem mesmo na Europa, capaz de mobilizar tanta gente para ver o Sumo Pontífice como nas Filipinas. Daí a mensagem deixada pelo Papa Francisco sobre a sua importância no continente asiático, onde as religiões ou crenças maioritárias são o Budismo, o Hinduísmo e o Islamismo.

 

A China

É conhecida a vontade do Papa Francisco em visitar a República Popular da China, o que a acontecer iria transformar, por completo, as relações entre Pequim e o Vaticano.

Numa curta entrevista com o director da Rádio Vaticano em língua inglesa pouco consegui “arrancar” ao experiente Seán-Patrick Lovett, mas percebi nas entrelinhas que tem havido conversações entre os dois Estados, e quando Pequim endereçar um convite formal ao Vaticano já as questões principais, que por agora impedem a deslocação do Santo Padre à RPC, estarão resolvidas.

 

E Macau?

Talvez inspirado pela estadia, ou passagem, de extraordinários missionários da Companhia de Jesus por Macau, tais como Matteo Ricci, Michele Ruggieri, Alessandro Valignano, Duarte de Sande, Tomás Pereira, João Cabral e Alexandre de Rhodes, entre muitos outros, acompanhou-me durante muito tempo a crença de que o antigo enclave português poderia ainda hoje desempenhar um papel primordial de evangelização na Ásia.

Todavia, ao acompanhar a visita papal às Filipinas tive que me render à evidência de que Macau, com pouco mais de meio milhão de habitantes, e onde o Catolicismo é minoritário, não está em condições de voltar ao esplendor missionário dos tempos em que daqui partiam jesuítas, dominicanos e franciscanos, entre outros, não só para o interior da China, como também para o Japão, Tonquim e Cochinchina (duas antigas regiões do Vietname), o Sião (Tailândia) e por aí fora…

O actual papel de Macau resume-se essencialmente à implementação de pontes para a evangelização no interior da China, o que por si só constitui um imenso desafio para dar resposta ao potencial que a demanda representa.

PEDRO DANIEL OLIVEIRA

pedrodanielhk@hotmail.com

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