O valor da partilha

O que é feito com o dinheiro das Missas?

O que é feito com o dinheiro das Missas?

A celebração da Eucaristia tem ritos que constituem referências muito fortes para os cristãos e tem outros cujo significado, muitas vezes, é menos conhecido. Os dois momentos mais importantes da celebração são, certamente, o tempo da Palavra e o tempo da Consagração e Comunhão. E os outros momentos da celebração também merecem ser destacados, pois são essenciais no todo da liturgia: o rito penitencial, em que se pede perdão a Deus e à comunidade; a recolha dos bens no ofertório, que se destinam à partilha com os mais pobres; o abraço da paz, em que todos se sentem unidos fraternalmente, e o rito da despedida, com o compromisso de levar a paz de Cristo a toda a gente.

De todo este tecido litúrgico, o que talvez mereça uma explicação é a recolha de bens. Ao altar leva-se o pão e o vinho para a consagração, mas leva-se também “o fruto do trabalho dos homens”, significado numa pequena importância que se entrega ao acólito e que é também deixada no altar. Quando se pergunta “qual o destino do dinheiro das missas” é preciso fazer uma distinção:

– O “estipêndio” que se dá ao sacerdote, quando se manda celebrar uma missa, é mesmo para o padre. No caso de Portugal, a Conferência Episcopal definiu que este estipêndio seja de dez euros. Mesmo que haja mais intenções, o sacerdote recebe somente este estipêndio. O que sobra é enviado à diocese para dar apoio aos sacerdotes idosos e doentes.

– A “recolha no ofertório” tem vários destinos. Como diz o quinto mandamento da Igreja, estas importâncias são “para as despesas do culto, a sustentação do clero e para outros legítimos usos e costumes e determinações da Igreja”. Assim sendo, destinam-se aos salários das pessoas que trabalham na paróquia, as despesas correntes de água, luz, gás e telefone, e aos encargos do cartório. Além disso, esta partilha procura ir ao encontro de pessoas que estão em grande aflição e precisam de ajudas urgentes. Finalmente, destinam-se às obras e melhoramentos da igreja ou de outras instituições da comunidade cristã.

– Há ainda os ofertórios consignados, peditórios feitos em determinado Domingo, para sectores pastorais da Igreja e que são marcados pela Conferência Episcopal Portuguesa. Ao longo do ano, são doze estes “peditórios”, entre eles: apoio aos seminários, à pastoral das vocações, à Universidade Católica, à Caritas Portuguesa, à pastoral da mobilidade (migrantes), à educação cristã, ao clero pobre e envelhecido, e várias outras intenções.

Todas as comunidades cristãs e, sobretudo, as paróquias tem de fazer anualmente um orçamento, com a previsão das receitas e despesas possíveis, e, no final do ano, entregar o relatório de contas. Este relatório deve ser aprovado pelo bispo da diocese. A palavra-chave é “transparência”, para que tudo seja conhecido e avaliado. Toda a organização económica da comunidade cristã tem um Conselho Económico constituído, na maior parte das vezes, por leigos que ajudam a fazer a gestão dos bens que a comunidade possua.

Mons. Feytor Pinto

In Família Cristã

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