A Chamada para a Grandiosidade (12)

Justiça

Justiça

Um homem idoso vivia com a família de um seu filho casado. À medida que envelhecia tornava-se mais desastrado. Sempre que comia deixava cair pedaços de comida. Por isso a família pô-lo a comer sozinho. Um dia, quando o velho senhor deixou cair o seu prato, que se partiu, ficaram zangados e compraram um prato barato em madeira (malga). Confrontado com esta situação, o jovem neto agarrou num pedaço de madeira e começou a trabalhá-lo.

«– O que é que estás a fazer?», perguntaram-lhe a mãe e o pai. «– Estou a fazer uma gamela – disse a criança – para quando vocês os dois ficarem velhos e tiverem que comer sozinhos».

O casal reconheceu o seu erro e a partir desse dia deixaram o velho senhor comer juntamente com a família.

Todos nós reconhecemos a importância da equidade e da justiça. Vós, assim como eu, em algum momento da nossa vida, sofremos inevitavelmente algum tipo de injustiça ou discriminação, e sabemos quanto isso custa e magoa. Jesus sofreu a mais alta forma de injustiça, porque Ele estava total e completamente inocente. Ao contrário de nós, pecadores.

A necessidade de justiça nasce do facto de que o Homem não vive só – ele vive em sociedade e interage com outras pessoas. E nós necessitamos de uma Virtude que regule essa interacção.

O que é Justiça? De acordo com a definição de São Tomás de Aquino, o Catecismo da Igreja Católica ensina-nos: “A justiça é a virtude moral que consiste na constante e firme vontade de dar a Deus e ao próximo o que lhes é devido. A justiça para com Deus chama-se ‘virtude da religião’” (Catecismo da Igreja Católica, 1807).

A Justiça necessita do exercício da Vontade. É por isso que ela nos prepara para praticarmos a caridade, porque a caridade requer uma vontade firme. No âmbito da justiça, damos ao nosso semelhante o que lhe pertence, e em caridade damos-lhe o que é nosso.

A Caridade é superior à Justiça, mas como a justiça é mais básica que a caridade os deveres da justiça são mais restritos que os da caridade. Não posso amar o meu pai ou a minha mãe, se não lhes presto o devido respeito. Não posso dizer que amo a Deus, se não for à Missa ao Domingo (um requisito da justiça).

Por outro lado, a justiça por si só não é suficiente. A justiça, apenas, também pode levar a situações injustas. Frei Paul A. Duffner, OP, escreveu: “Na resolução de disputas, enquanto que a justiça pode conseguir repor os direitos, esse facto só por si não reporá a paz. Com respeito a este assunto São Tomás de Aquino diz: ‘A Paz é o trabalho indirecto da Justiça, porque esta remove os obstáculos para a obtenção da paz; mas é trabalho directo da caridade, pois a caridade, de acordo com a sua própria natureza, conduz à paz; porque o amor é uma força que une…’”.

Nós, cristãos, devemos realmente lutar pela justiça social, mas só a justiça não é suficiente. Devemos almejar coisas mais elevadas porque há «um caminho que ultrapassa todos os outros (1 Coríntios 12:31)».

Devemos esforçar-nos na prática da caridade, no trabalho, na sociedade envolvente. «Porque Eu vos digo: Se a vossa justiça não superar a dos doutores da Lei e a dos fariseus, não entrareis no Reino do Céu (Mateus 5:20)».

Pe. José Mario Mandía

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