Quem somos

(Breve resenha histórica)


Somos um jornal semanal, propriedade da Diocese de Macau, que desde a sua fundação, – já lá vão mais de 58 anos – carinhosamente o acolheu e tem mantido, como órgão informativo e instrumento privilegiado para a divulgação do pensamento cristão e da doutrina da Igreja, que dele é portadora e mensageira.

Conhecido como o semanário católico desta Diocese, mas sem ser a sua voz oficial, O CLARIM procurou sempre, desde o primeiro dia da sua vinda a lume, – e esse espírito continua a estar hoje presente, – apresentar-se como um jornal aberto e arejado. Nas suas páginas são abordados, sem complexos ou preconceitos, os mais variados temas, que não apenas religiosos, temas que têm a ver com o ser humano, em toda a sua globalidade, e o seu viver em sociedade. Abordagem que é feita – e essa é a marca que nos distingue – sempre numa linha de pensamento em que os valores que são apanágio do ser humano em quanto tal e pelos quais luta no quotidiano da sua existência (a justiça, a verdade, o direito a ser respeitado, a liberdade, a solidariedade, etc.) têm sempre a primazia.

Em suma, o reconhecimento da dignidade do ser humano, e o empenho em tudo o que possa contribuir para a sua afirmação e elevação, estão sempre subjacentes a toda e qualquer abordagem feita nas páginas d’O CLARIM. E tudo isso, na luz duma perspectiva cristã.

UM POUCO DE HISTÓRIA

Corria o ano de 1943. Estava-se em plena Guerra do Pacífico, com o território de Macau completamente isolado do Mundo e a debater-se com interrogações de vária ordem e a incerteza do futuro a pairar sobre todos os que aqui viviam, mas, talvez, com maior incidência na vida quotidiana dos jovens.

Frequentavam as aulas, tinham as suas actividades, agarravam-se a tudo que lhes pudesse fazer esquecer e minorar a lembrança dos horrores que, aqui bem perto de Macau, eram cometidos pelos exércitos nipónicos.

Apesar de todas as dificuldades por que passava, essa juventude não se deixou dominar nem vencer por fantasmas, não se amedrontou com as nuvens negras e de mau agoiro que toldavam os horizontes e repercutiam os ecos de sangrentas batalhas, de atrocidades que a mente do homem dificilmente concebia.

Foi neste ambiente de incertezas e de perspectivas pouco claras e nada animadoras que os mestres e mentores desse conturbado período procuraram incutir nesses jovens ideais de generosidade, e, ao mesmo tempo, proporcionar-lhes meios adequados de mais e mais irem engrossando os seus conhecimentos acerca dos fenómenos culturais e sociais que fazem a história dos povos.
Mas foi também nesse clima atribulado e de angústia que viria a surgir, como que de uma rajada de Primavera, pela mão do então jovem padre Manuel Teixeira, uma publicação baptizada com o nome de CLARIM.
Era uma revista pequena e um tanto incipiente na verdura de anos dos seus redactores, mas foi crescendo e ganhando prestígio e importância pela natureza dos temas tratados e pelo nível intelectual de alguns dos seus colaboradores, pois que já não era apenas gente nova que aí escrevia.

Surgiu o primeiro número em Junho de 1943.

Estava, assim, aberto o caminho que iria, no entanto, prolongar-se por pouco tempo. Mas a semente estava lançada. E os frutos dessa sementeira iriam surgir cinco anos mais tarde.

Foi quando, mais uma vez..., uma rajada de Primavera, um grupo de jovens apresentou aos padres Fernando Leal Maciel e Júlio Augusto Massa a ideia de publicarem um jornal. Eles acolheram de braços abertos e coração largo essa ideia, mas que se apresentava como uma proposta um tanto ousada, perante as dificuldades que certamente iriam encontrar, sobretudo no tocante a meios financeiros.

Numa reunião em casa do pai de um daquele grupo de jovens ficou de vez decidido levar por diante esse arrojado plano, necessitando para tanto colocá-lo à consideração do então bispo da Diocese, D. João de Deus Ramalho. Assegurado o financiamento pelo ilustre Prelado, para a impressão do jornal e despesas correlativas, – pois todos se prontificam a colaborar graciosamente nas horas que lhes sobravam dos seus afazeres profissionais, – iniciaram-se contactos e diligências no respeitante à parte técnica e tipográfica.

Sob lema «Por Deus, pela Pátria», e com cabeçalho do pintor russo, que ao tempo vivia em Macau, George Smirnoff, o novo semanário O CLARIM, suplemento da revista do mesmo nome, era posto a circular no dia 2 de Maio de 1948, já lá vão, portanto, mais de 58 anos.
Neste pequeno apontamento sobre o nascimento de O CLARIM, é justo registar os nomes desses rapazes da primeira hora que, juntamente com os também jovens padres Fernando Leal Maciel e Júlio Augusto Massa, fundaram este jornal: José Patrício Guterres, Herculano Estorninho, José Silveira Machado, Abílio Rosa, Gastão de Barros, José de Carvalho e Rego, Rui da Graça Andrade e Rolando das Chagas Alves.

Desse leque de dez nomes que, sobretudo nos seus anos juvenis, tanto deram ao Clarim, três vivem ainda hoje em Macau e é com satisfação que aqui recordamos os seus nomes: José Silveira Machado, Gastão de Barros e José Carvalho e Rego. Aliás, Silveira Machado, para muitos o «professor» Machado, foi na última década, e até há ainda bem pouco tempo, um assíduo e muito apreciado colaborador d’O CLARIM. Colaboração que teve de interromper unicamente porque o peso dos seus 88 anos lhe não permite já tal esforço. Dois outros há muito se ausentaram de Macau. Os restantes já «partiram» para sempre. Deles permanece, porém, o espírito entusiasta e generoso com que puseram as suas capacidades ao serviço d’O CLARIM. Com sentida saudade, deles aqui fazemos também memoria.

DIRECTORES D’O CLARIM

Ao longo do seu percurso que ultrapassa já os 58 anos, O CLARIM conta 18 directores. Alguns deles foram-no em mais de uma ocasião. Porque eles foram, a seu tempo, o rosto deste jornal, e fazem, por essa razão, parte da história d’O CLARIM apraz-nos, para que conste e chegue ao conhecimento de quem hoje nos lê também na Internet, deixar aqui registados os seus nomes:


Pe. dr. Fernando H. L. Maciel
– De 2-5-1948 a 4-6-1948
Pe. Júlio Augusto Massa – De 11-7-1948 a 14-11-1948
Pe. Áureo da Costa Nunes e Castro – De 21-11-1948 a 24-4-1949 (Director interino)
Pe. dr. Fernando H. L. Maciel – de 1-5-1949 a 30-4-1959
Pe. José Barcelos Mendes – De 3-5-1959 a 1-3-1962
Pe. Artur Augusto Neves – De 4-3-1962 a 4-8-1966
Pe. José Barcelos Mendes – De 11-8-1966 a 18-4-1971
Pe. Alfredo Tavares – De 22-4-1971 a 4-5-1972
Pe. Ramiro Marta – De 7-5-1972 a 2-8-1973
Pe. Américo Casado – De 5-8-1973 a 12-10-1975
Pe. José Barcelos Mendes – De 16-10-1975 a 19-2-1978
Pe. José Coelho Matias – De 23-2-1978 a 30-12-1979
António Augusto da Canhota – De 3-1-1980 a 4-6-1981
Tomás Rosa Pereira – De 7-6-1981 a 3-1-1982
António Augusto da Canhota – De 7-1-1982 a 11-3-1982
Tomás Rosa Pereira – De 14-3-1982 a 3-4-1983
Pe. Manuel F. Moreira – De 13-6-1983 a 5-7-1985
Pe. Albino Bento Pais – Desde 01-7-1985, até ao presente

 


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