“Bitter Winter”, Revista Online Religiosa expõe a China aos olhos do Mundo

BITTER WINTER

Ficheiros secretos.

A “Bitter Winter” (Inverno Amargo), revista online noticiosa dedicada à liberdade religiosa e aos Direitos Humanos na China, foi lançada no início do corrente ano, oferecendo aos cibernautas conteúdos em Inglês, Chinês, Coreano, Italiano, Francês, Espanhol e Alemão.

A publicação tem por objectivo “relatar a forma como as religiões são permitidas, ou não, a operar na China, e como algumas são severamente perseguidas depois de rotuladas como ‘xie jiao’, ou seja, ensinamentos heterodoxos”, pode-se ler no sítio https://bitterwinter.org, que divulga “notícias difíceis de encontrar em qualquer outra parte”, bem como “análises e debates”.

A’O CLARIM o chefe de redacção Massimo Introvigne referiu que «todos sabem que a China tem um problema de liberdade religiosa e de Direitos Humanos», dado que «há dezenas de declarações nesse sentido feitas por organizações internacionais».

Por esta razão, em 2017 participou em duas conferências organizadas pela Associação Chinesa Anti-xie-jiao, com ligações directas ao Partido Comunista Chinês (PCC), para debater juntamente com outros quatro colegas ocidentais o termo “xie jiao”, bem como uma religião em particular, a Igreja de Deus Todo-Poderoso, também conhecida por Raio Oriental, a qual é bastante perseguida na China continental.

«Não traduzo “xie jiao” como cultos do mal, como fazem os chineses», disse Massimo Introvigne, sublinhando que este foi um dos assuntos discutidos nas duas conferências que tiveram lugar em Zhengzhou e em Hong Kong, para as quais foi convidado.

«Muitos estudiosos acreditam que a tradução “cultos do mal” é enganadora, com motivações políticas. É utilizada para atrair a simpatia daqueles que se preocupam com os “cultos” no Ocidente, quando na verdade a expressão “xie jiao” remonta ao final do período Ming, sendo “ensinamentos heterodoxos” a tradução que a maioria dos estudiosos prefere», explicou Massimo Introvigne, que é também director do Centro de Estudos sobre as Novas Religiões, em Turim (Itália).

«Os imperadores decidiram quais eram os ensinamentos “heterodoxos”, tanto nas bases teológicas como políticas. O PCC herdou a prática de listar e proibir “xie jiao” no Império e na República, mas não inventou nada», frisou o chefe de redacção da Bitter Winter.

Além de perceberem que Igreja de Deus Todo-Poderoso não era culpada dos crimes imputados pelo lado chinês, os cinco conferencistas chegaram também à conclusão que a maior parte da informação disponível no Ocidente sobre os novos movimentos religiosos, listados na maioria como “xie jiao”, é tendenciosa e deriva de notícias falsas orquestradas por campanhas lançadas pelo PCC.

«Infelizmente, até mesmo os Órgãos de Comunicação Social mais famosos do Ocidente aceitam estas notícias como factos verídicos», afiançou Massimo Introvigne, razão pela qual decidiu «lançar uma revista diária de notícias sobre a religião na China, cobrindo os novos movimentos religiosos – que ninguém cobre – e também as outras religiões».

Pedro Daniel Oliveira com Aurelio Porfiri

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