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DEPUTADO atento à SAÚDE DA POPULAÇÃO

O «benfeitor» Fong Chi Keong

 

O DEPUTADO e empresário da construção civil, Fong Chi Keong, está preocupado com a saúde da população. Defende, por isso, que as instalações do futuro hospital público nas ilhas devem ser «da mais elevada qualidade».

«Se essa nova infra-estrutura não passar de uma réplica dos já existentes – Centro Hospitalar Conde de São Januário [público] e Kiang Wu [privado] – não passará de mais um hospital que em nada contribuirá para elevar a qualidade dos cuidados de Saúde em Macau», começou por dizer na passada terça-feira, durante a sua intervenção Antes da Ordem do Dia (AOD), na Assembleia Legislativa (AL). E pôs igualmente o dedo na ferida, ao afirmar que «muitos erros médicos não são tornados públicos, o que não significa que não se tenham registado».

A este propósito, Fong Chi Keong mostrou também ser um atento leitor da Imprensa local: «Recentes artigos publicados sobre esta matéria apontam para o baixo nível dos cuidados médicos de especialidade prestados. O atraso verificado no tratamento de algumas doenças mais importantes é também uma grande deficiência no sector da Saúde».

Esses artigos, segundo ele, descrevem ao pormenor os casos frequentes de negligência/incúria médica, com exemplos que levam mesmo a suspeitar de actos de prevaricação praticados pelo pessoal responsável pelos cuidados médicos. Por isso, teve a ideia «peregrina» de fazer a seguinte sugestão: «O Governo deve incentivar e canalizar os recursos financeiros da sociedade para o sector médico de nível sofisticado, e não para o domínio do sector público da Saúde».

Fong Chi Keong pretende, assim, que se tome como referência a prática nos hospitais privados de Hong Kong, ou seja, a contratação de instituições internacionais de credibilidade, para avaliar os critérios e qualidade dos serviços hospitalares e proceder ao planeamento global relativo à aquisição de equipamento hospitalar.

«O Governo deve, de facto, formar médicos locais e importar médicos do exterior que celebrem contrato com a RAEM. Aos que tenham bom aproveitamento no concurso e demonstrem bom desempenho, deve conceder-lhes o estatuto de residente de Macau, eliminando assim os seus receios quanto ao futuro», sugeriu ainda.

Por fim, abordou um novo conceito que pode ser aproveitado a favor da economia. «Tendo em conta que se vai construir mais um recurso, pode-se criar o turismo de Saúde», disse, acrescentando: «Devem ainda unir-se as forças da medicina ocidental e da medicinal tradicional chinesa para desenvolver o turismo da Saúde, por forma a reduzir os encargos do Governo, enriquecer a nossa indústria e maximizar as funções do novo hospital».

No passado mês de Junho – recorde-se – o deputado Au Kam San revelou ao Hoje Macau que as três companhias escolhidas para o concurso de construção do escritório de Edmund Ho, contíguo à residência do ex-Chefe do Executivo, na Estrada de D. João Paulino, pertencem a Fong Chi Keong. A Empresa de Construção Civil Man Kan ganhou o concurso, sendo que «a construção foi planeada em meados de 2009 e custou 20 milhões».

Corrupção: há mais?

O deputado José Pereira Coutinho não foi de modas e deu a entender que o espectro da corrupção continua a pairar ao mais alto nível no seio do Executivo.

«Seria ingénuo, da parte do actual Governo, continuar a impingir o dogma de que existiu um único alto governante (Ao Man Long) corrupto, porque ninguém acredita. Mesmo com a mudança de um novo Chefe do Executivo, esta forma sinistra de governação continua a perdurar nalgumas secretarias», disse, durante a sua intervenção AOD.

Quanto à identidade da sua alegação, deixou as seguintes indicações: «Esta minha intervenção tem a ver com o facto de terem surgido recentemente no meu gabinete de atendimento ao público algumas informações que levam à suspeição de um alto responsável de que o mega escândalo poderá repetir-se, mais uma vez, no futuro próximo».

Sustentou, por isso, que «neste momento, devem ser tomadas as necessárias precauções, mais concretamente, de fiscalização e supervisão hierárquica, por quem de direito e mesmo pelo dirigente máximo da RAEM», ou seja, pelo Chefe do Executivo, Chui Sai On.

 

PEDRO DANIEL OLIVEIRA

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