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OPINIÃO

Bullying! Um palavrão que merece uma discussão

 

DE vez em quando e sempre que surge uma denúncia de que um jovem foi maltratado por colegas da escola, renasce a discussão sobre o fenómeno bullying, um termo simplificado e adoptado do dicionário de língua inglesa, como se a língua portuguesa, para não ferir susceptibilidades, se recusasse a classificar publicamente esse tipo de actos como um crime de violento assédio, dentro ou fora das escolas.

Desta vez, o presumido suicídio do malogrado jovem Leandro nas águas do rio Tua, em consequência de ser vítima continuada de maus tratos por parte de colegas da sua escola, voltou a escandalizar os cidadãos, pais ou não de jovens em idade escolar, e a alertar as consciências sobre o rumo da sociabilidade das nossas crianças, no quadro das instituições escolares que frequentam.

As formas de agressão verbais, físicas e psicológicas, entre as crianças e jovens nas escolas, a que hoje modernamente se chama bullying, não sãotão modernas quanto isso.

Todos nós já fomos miúdos, em idade escolar e bem sabemos que tal já acontecia nos nossos tempos. Havia sempre um «matulão», ou um bando de «matulões», que tentava exercer coacção física sobre os mais fracos; uma «língua provocadora» que denegria e ridicularizava outros, impedindo-os de participar nos jogos, nas brincadeiras ou nas conversas de grupos e todos aqueles «chefes de claque» que utilizavam o maior sarcasmo depreciativo, face a outros que sentiam dificuldades na sua afirmação e auto-estima.

Não sendo um fenómeno novo, na sua essência, é no entanto grave na dimensão da sua actualidade.

É que, de facto, noutro tempo estes actos eram vigiados, sancionados e responsabilizados, quando aconteciam no parque escolar.

Dos empregados escolares, vulgo «contínuos», aos professores e acabando nos directores das escolas, sempre que verificavam (o que nem sempre acontecia...) uma violência desta natureza, a sua atitude era responsável e punidora. E ai daquele que repetisse a brincadeira! A sanção era a sua expulsão da escola, fosse pública ou privada!

Os agentes escolares tinham uma intervenção efectiva: não viravam a cara para o lado; não fechavam os olhos para não ver; não se desculpavam com o seu muito trabalho ou ausência de responsabilidade e não se demitiam da sua função de educadores!

E os miúdos e jovens, independentemente de todos os seus defeitos e traquinices, tinham respeito pelas autoridades escolares, dentro e fora das salas de aulas, temiam ser sancionados e coibiam-se de actos violentos, pelo menos publicamente.

O que se passa hoje, na maioria das nossas escolas, é bem diferente!

Não estou a fazer a apologia social do «antigamente», estou a tentar dizer que nem tudo a que chamam «velho», não presta. E, no quadro actual da educação-socialização das nossas escolas, independentemente do que têm de positivo muitas das novas tecnologias pedagógicas, a atitude educadora dos princípios essenciais à educação e formação moral dos nossos «putos» devia, em muitos aspectos, fazer um «regresso ao passado»!

Quem disse que a educação se faz apenas com a persuasão, sem coacção? Na sociedade dos adultos, o crime paga-se!

De quem têm medo de agir, em conformidade com o seu estatuto, as nossas autoridades escolares, afim de prevenirem este tipo de actos: Do Ministério da Educação? Dos pais dos alunos? Dos alunos?

Porque têm medo de exercer a sua autoridade educativa? Porque, depois, já não se é considerado um «prof. porreiro»? Porque são penalizados na carreira, ou porque só dá «chatices»?

Porque é que muita da nossa classe docente e com responsabilidades escolares se inibe de corrigir os maus comportamentos dos seus educandos de que, em muitos casos, são eles (os professores) as próprias vítimas? Porque acham que não lhes diz respeito? Só lá estão para dar matéria? Não são pagos para isso?

Muitas perguntas a precisar de resposta, para de facto percebermos que tipo de adultos estamos a formar para a sociedade do futuro!

É evidente que toda a culpa destas situações, não começa nem acaba nas escolas, mas estas, noutro tempo, não eram apenas escolas para formar técnicos do que quer que fosse; eram também escolas para a vida. Algo mais complexo do que apenas conseguir um «canudo»!


LUIS BARREIRA

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