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Viva a Mulher!

 

ESTA semana comemorou-se o Dia Internacional da Mulher. À semelhança de outras partes do mundo, muitas foram as senhoras de Macau que deram a sua opinião, sempre muito politicamente correctas, para não ferirem susceptibilidades. Deu para perceber!

Pois, minhas senhoras, não tapemos a verdade com a burka. Há diferenças – e são enormes! – no tratamento dado aos homens e mulheres da RAEM.

Para começar, a massa populacional do território é, na sua maioria, proveniente da China continental, onde as desigualdades entre os sexos continuam a ser gritantes, seja nas relações conjugais, seja no emprego ou na sociedade. Onde ainda se bate em mulheres por não terem filhos-homens, – como se a culpa fosse delas, – que sejam dignos de continuar a linhagem ou capazes de efectuar os trabalhos mais pesados.

Depois, há também a percepção, em Macau, de que o sexo fraco – só se for na questão da massa muscular, pois em termos de massa encefálica há muito provaram o contrário... – deve estar em casa, a cuidar dos filhos, à espera que o marido despache os negócios, os amigos e, em alguns casos, as amantes, para lhes dar comida, dormida e roupa lavada.

Mas é fora de casa que dá para perceber como polutos são os princípios, ou a falta deles, de quem partilha o mesmo espaço com as mulheres. Nos restaurantes é comum servirem primeiro o homem ou perguntarem a este tudo e mais alguma coisa, como se o outro Ser fosse tão insignificante como a jarra que embeleza a mesa. Nos hotéis, – e nem as cadeias mais conceituadas escapam ao erro – os paquetes tendem em ajudar o homem a carregar com as malas, mesmo que atrás venha uma mulher com as mãos ocupadas e um par de filhos à sua volta. Nos centros comerciais, para além de não se dar passagem e abrir as portas às senhoras, as empregadas tendem a dirigir olhares desprezíveis às clientes, desfazendo-se em sorrisos assim que o homem chega.

Não sou daqueles que, de forma cega, grito que homens e mulheres são iguais, porque não são! Uns são homens e outros mulheres, com os seus fortes e fracos. Defendo, isso sim, a igualdade de tratamento para ambos os sexos, não deixando de apontar o dedo a quem não o pratica.

Mas pior, pior, é verificar que há uma espécie de homens que troca de mulher, como quem troca de carro, deixando-se levar por sorrisos fáceis em busca de um melhor nível de vida ou de um passaporte que lhes abra portas ao mundo.

Minhas senhoras, há diferenças e são muitas! Infelizmente Macau ainda tem muito que andar, tanto nesta área, como noutras. Para isso é preciso que os homens procurem ser mais iguais às mulheres no que à natureza humana diz respeito. É bom que não esqueçamos que sem elas não existiam os homens.

Escrevinhando

A tarefa de escrever editoriais, artigos de opinião e textos diariamente é tarefa espinhosa. Muitas vezes falta assunto e tempo para reflectir sobre o que se tecla. Por isso, desculpam-se as linhas indecifráveis, imperceptíveis e inconsequentes que residem em algumas páginas dos jornais.

Desculpam-se, assim, os audazes que procuram, dia-após-dia, chegar aos leitores sem perder fulgor. Mas seria bom que os colunistas percebessem que nem o mais sábio consegue manter os índices de popularidade em alta. Se o fizessem, talvez não enveredassem por estilos e temáticas interditas a meros curiosos e reservadas apenas a estudiosos, especialistas e peritos. Um pecado que também eu já cometi e vou continuar a cometer. Confesso!


JOSÉ MIGUEL ENCARNAÇÃO

Comentários:

Catarina Cadavez - 12/03/2010
BOM ARTIGO MIGUEL! VOU SEGUINDO O QUE SE PASSA POR AÍ...

 


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