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Hummer «liberta» Lama |
Recuemos a Abril de 2009: a fabricante de automóveis, General Motors (GM), anunciou a venda de algumas das suas marcas, entre as quais a Hummer. A empresa de Detroit encontrava-se – como ainda hoje se encontra – em fase de reestruturação, procurando contrariar os maus resultados decorrentes da crise financeira de 2008. Foi, pois, para evitar o fim de mais um gigante da maior economia do mundo, – depois das falências da Lehman Brothers e da Washington Mutual, – que o Departamento do Tesouro norte-americano e também os Governos do Canadá e da província de Ontário decidiram emprestar mais de 30 mil milhões de dólares à GM. Com esta operação, a empresa passou a ser maioritariamente detida por aqueles dois países, tendo Obama, em determinado momento, chegado a encabeçar o processo de financiamento. E qual foi uma das condições por ele imposta? – Que a GM terminasse ou alienasse as linhas de produção não-lucrativas. Os jipes Hummer estavam, claramente, nesse grupo. Onde entra o Dalai Lama nesta história? A primeira deslocação do Dalai Lama aos Estados Unidos, durante a vigência da Administração Obama, ocorreu em Outubro de 2009. Como manda a tradição, foi recebido pela presidente do Congresso, a democrata Nancy Pelosi, sob protesto dos republicanos, que não se cansaram de acusar Obama de «beijar a mão à China», por não receber o Dalai Lama na Casa Branca. De facto, o mundo ficou perplexo com a atitude do mais recente Prémio Nobel da Paz. Mas a explicação viria dias depois com o anúncio do pré-acordo de venda da Hummer ao grupo chinês, Sichuan Tengzhong Heavy Industrial Machinery, pela ridícula quantia de 150 milhões de dólares. O fecho do negócio ficou «apenas» a aguardar o aval dos respectivos órgãos reguladores dos Estados Unidos e da China. Volvidos quatro meses, tudo parece ter mudado: no passado dia 18 de Fevereiro, o presidente norte-americano recebeu o Dalai Lama na Casa Branca, – ainda que longe do olhar dos jornalistas, – indiferente aos protestos de Pequim, que chegou a entregar uma carta de repúdio ao embaixador de Washington na capital chinesa, pelo encontro mantido entre aquelas duas personalidades. O que fez Barack Obama rever a posição outrora assumida perante a presença do líder tibetano no seu país? A resposta talvez esteja nos jornais de 25 de Fevereiro – uma semana após o mediático acontecimento – e nos inúmeros sites de informação que pululam na Internet. É que um dia antes, a 24 de Fevereiro, a GM anunciou que as autoridades chinesas haviam impedido a aquisição da Hummer, por parte da Sichuan Tengzhong Heavy Industrial Machinery. Será que Obama já o sabia quando abriu as portas da sua casa a mais um «inimigo» da China? De novo se prova que em política não há coincidências. Não me canso de o afirmar!
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