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Chile – Sob os efeitos da catÁstrofe

Presidente Bachelet rejeita críticas à gestão da situação pós-sismo

O Papa Bento XVI assinalou o início da Quaresma, presidindo ao rito da bênção e imposição das Cinzas na basílica de Santo Anselmo e à sucessiva procissão até à basílica de Santa Sabina, onde o Papa presidiu à celebração eucarística.

 

A PRESIDENTE do Chile, Michelle Bachelet, defendeu-se das críticas à forma como o seu governo tem vindo a gerira emergência provocada pelo terramoto do passado sábado (27 de Fevereiro).

«Somos todos generais depois da guerra», afirmou Michelle Bachelet, durante uma entrevista à Rádio Cooperativa, quando questionada sobre as acusações de inépcia dirigidas ao seu Governo.

A responsável chilena aconselhou os habitantes das localidades costeiras que foram arrasadas pelo maremoto subsequente ao terramoto a fugirem para as montanhas em caso de réplicas fortes.

O epicentro, segundo o Serviço de Geologia dos Estados Unidos da América, situou-se debaixo do mar, 53 quilómetros a noroeste de Concepción, uma das cidades mais afectadas pelo sismo, cujo número de mortos anda já pelos 800, tudo apontando para que venha a subir, tendo em conta que haverá muitos desaparecidos.

Tanto o Gabinete Nacional de Emergência como o Serviço Hidrográfico e Oceanográfico da Armada têm sido criticados porque, devido à sua alegada falta de coordenação, a população de várias cidades costeiras e do arquipélago Juan Fernández, a 600 quilómetros da costa, só se deu conta do maremoto demasiado tarde, o que provocou muitos mortos e desaparecidos e prejuízos materiais elevados.

O Governo também tem sido acusado de não ter previsto as acções de saque e vandalismo nas cidades afectadas pelo sismo, como Concepción e Talcahuano, e de ter reagido tarde para lhes pôr cobro. Outra fonte de crítica tem sido a demora na chegada da ajuda aos sobreviventes.

Bachelet acusou alguns analistas de falarem sem terem informação suficiente e salientou que, «mais do que acertos de contas políticas, o importante é tirar lições do ocorrido, para que o Chile conte com um sistema de comunicações mais avançado tecnologicamente e ligações mais rápidas através da sua geografia complexa».

Ajuda internacional chega ao país

A ajuda internacional vai chegando ao Chile, onde sete mil soldados foram destacados para as regiões destruídas pelo sismo de sábado (27 de Fevereiro). Quatro cidades estão sob recolher obrigatório para impedir as pilhagens.

A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, deslocou-se já àquele país, levando uma primeira ajuda dos Estados Unidos: 20 telefones satélite, uma necessidade definida pelas autoridades chilenas como prioritária, dados os avultados danos sofridos pela rede de telecomunicações.

A visita incluiu também encontros com a Presidente chilena, Michelle Bachelet, e com o Presidente eleito, Sebastián Piñera, e a visita a alguma das zonas sinistradas. O Governo chileno colocou mais três cidades, do centro do país – sinistradas pelo sismo e maremoto de sábado – sob recolher obrigatório, a fim de prevenir pilhagens e perturbação da ordem pública. Talca, Cauquenes e Constitución, situadas na região costeira do Maule, com efeito, foram colocadas sob essa mesma medida, entre as 00:00 e as 6:00 horas, segundo anunciou o general Bosco Pesse. O mesmo está a ser posto em prática, desde a noite do passado Domingo, em Concepción, a maior cidade da região, com cerca de 500 mil habitantes.

As regiões costeiras de Concepción e de Maule – recorde-se – são as que concentram a grande maioria das vítimas do sismo, cujo número se aproxima já dos 800 mortos e 20 desaparecidos, segundo o último balanço oficial.

Apoio da Igreja local às vítimas do terremoto

 «É tempo de oração e de nos unirmos como família que somos», afirmou D. Alejandro Goic, presidente da Conferência Episcopal do Chile, após o terremoto do passado sábado (27 de Fevereiro).

A Cáritas daquele país da América do Sul mobilizou-se, através de sua rede local, presente nas 23 dioceses chilenas, para prestar ajuda de emergência às vítimas do devastador sismo, que deixou ao menos 711 mortos.

Segundo informa o director da Cáritas local, Lorenzo Figueroa, a entidade assistencial está a coordenar com o Governo e outras organizações civis «para estabelecer uma rede nacional de ajuda que nos permita superar as grandes dificuldades que temos nas comunicações. A Cáritas do Chile está a recolher alimentos em todo o país, para os enviar imediatamente às comunidades que ficaram mais danificadas pelo terremoto e onde já começa a ser sentida a escassez de produtos de primeira necessidade», afirmou aquele responsável.

«Neste momento, todos os nossos sistemas de comunicação interna e nossa capacidade logística para armazenamento e distribuição da ajuda estão completamente operativos», acrescentou reconhecendo ao mesmo tempo que, dada «a magnitude e alcance da catástrofe que afectou as regiões mais pobres do país, é necessário o apoio da rede Cáritas, ainda que, do que mais necessitamos seja a esperança para nosso atribulado povo».

D. Goic confirmou que todas as paróquias e centros locais de Cáritas naquele país da cordilheira dos Andes estão a fazer todo o esforço para atender as vítimas desta catástrofe.

Por sua vez, a Cáritas Internationalis enviou a Santiago do Chile uma equipa de especialistas com objectivo de colaborar igualmente nas operações de ajuda às vítimas. Dos membros da equipa faz parte também o director de assuntos humanitários desta organização, Alistair Dutton, que se deslocou desde o Haiti, assim como os membros da equipa de resgate da Cáritas do México, que há algumas semanas participaram nos trabalhos de resgate de vítimas em Porto Príncipe, capital do Haiti.

 

LUSA e Página 1, do GRUPO RENASCENÇA

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