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Sócrates está a mais

 

pouco mais de cem dias, José Sócrates foi reeleito Primeiro-Ministro de Portugal. As promessas, – hoje mentiras reveladas, – feitas durante a campanha eleitoral, não se concretizaram e o País vai chegar à Primavera pior do que estava no final do Verão: mais desemprego, mais défice, mais importações, menos exportações, pior Estado.

Hoje (sexta-feira, 5 de Fevereiro) Sócrates até poderá já ter pedido a demissão, após a Assembleia da República ter aprovado – assim espero! – a Lei das Finanças Regionais. Se, infelizmente, não o fez, é bom que os portugueses se preparem, que os próximos tempos serão bem difíceis para todos. É sinal de que Sócrates irá continuar no poder....

Por vezes, sinto vontade de voltar para Portugal, pois, a cada dia que passa, Macau segue um rumo indesejável, mas, quando penso a quem está entregue o País, prefiro aturar Chui Sai On e companhia com todos os seus defeitos.

A metáfora do eucalipto não é nova e está gasta, mas o Partido Socialista de José Sócrates vem, de facto, secando todas as áreas de actividade e destruindo a esperança de quem, com o suor do trabalho e através do pagamento de impostos, procura contribuir para um Portugal mais próspero, – sem prejudicar a qualidade de vida dos cidadãos, – no presente e no futuro.

Falemos verdade: há muito que São Bento se transformou no covil da malandragem, comandado por um Ali Babá de origens saloias, – o «palhaço inimputável», – com seguidores também em Macau e no resto do mundo.

Embora fosse mau, gostaria que o Fundo Monetário Internacional (FMI) entrasse de vez em Portugal e chamasse os governantes à razão. Aliás, a anunciada fuga para a frente de José Sócrates pode estar relacionada com a mais que desejada intromissão do FMI nas contas públicas. É que, à semelhança de qualquer ditador, o «nosso» PM não gosta de ser confrontado.

Mário e Manuela

Não, não é um novo grupo de música pimba daquelas que José Sócrates, rapaz novo, ouvia em Vilar de Maçada. São os dois jornalistas, – o pior pesadelo dos «chuchas» – a quem o ministro Pedro Silva Pereira e outros meninos de coro fizeram o favor de roubar espaço de antena.

Fosse outro o partido no Governo e não estranharia – embora não concordasse – que houvesse quem desligasse microfones e secasse canetas, mas vindas as pressões e a censura de onde vêm, é caso para perguntar: «São estes os delfins de quem tanto diz ter lutado contra o Estado Novo?»

A verdade está à vista: o lápis voltou a ser afiado, mas já não é azul, é cor-de-rosa. E, aos poucos, a DGS de Marcello Caetano vai reaparecendo, rejuvenescida e de cara lavada, nas televisões, nas rádios e nos jornais.

Trinta e seis anos após o 25 de Abril de 1974, o medo volta a apoderar-se dos jornalistas, temendo estes que o mundo – já de si moralmente poluto – lhes esmague a cabeça.

Sempre acreditei em Mário Crespo. Sendo um bom profissional ou, pelo menos, um profissional competente, não teria escrito o que escreveu sobre o Governo e o PM português, nos últimos meses, se não tivesse provas que o sustentassem.

Quanto a Manuela Moura Guedes, – gostemos ou não da senhora, – tinha um programa campeão de audiências, que só pressões de São Bento foram capazes de silenciar.

Nestes episódios, não foram Crespo e Moura Guedes que ficaram mal na fotografia. Foi José Sócrates e os directores dos Órgãos de Comunicação Social para os quais os dois jornalistas trabalham. E, pior ainda, é todo o aproveitamento que terceiros procuram tirar destas novelas em proveito próprio, esquecendo-se de que o que está em causa é a dignidade das pessoas.

Se ser crítico, frontal, independente, verdadeiro e genuíno é ser «louco», então, caro leitor, chame-me louco todos os dias. Vou adorar!

Também tu Belmiro!?

Belmiro de Azevedo deu uma entrevista à revista Visão, tendo, entre outros considerandos, chamado «ditador» a Cavaco Silva. Desculpa-se!

Todos os presidentes de Governo têm o seu empresário de estimação e Belmiro de Azevedo nunca aceitou que Cavaco Silva tivesse preferido «adoptar» António Champalimaud, reabrindo a este as portas da Banca, sector muito apetecido pelo senhor SONAE.

É esta a verdade: Belmiro gostava de morrer banqueiro, mas Cavaco há muito lhe ditou a sina: vai acabar merceeiro e ultrapassado por Américo Amorim na lista dos mais ricos.

Infelizmente, depois de António Guterres ter fugido da lama e se ter refugiado na ONU, Belmiro nunca mais encontrou o tino, principalmente após a OPA falhada da Sonaecom sobre a Portugal Telecom. Auto-proclamado incapaz, passou os negócios ao filho Paulo. Porventura, o seu último acto de lucidez.


JOSÉ MIGUEL ENCARNAÇÃO

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