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COISAS & LOISAS

Um recado à CSR

 

A NOSSA cidade, aos olhos de quem nos visita, é um local aprazível e limpo. Pelo menos é o que ouço mais frequentemente da boca de amigos que me visitam e ficam impressionados pelo grau de limpeza que a cidade apresenta.

O facto de lhes mostrar uma urbe que consideram limpa deixa-me inquietado porque, apesar de considerar haver outros aspectos de Macau que merecem ser alvo de melhorias, o da limpeza ocupa um lugar de destaque.

A cidade não é suja, se a compararmos com o interior da China, mas, mesmo assim, tem muito onde melhorar. Se a compararmos, por exemplo, com qualquer cidade da Suíça, ou, aqui mais perto, com Singapura… Um dos aspectos que critico seriamente é o facto da Companhia de Sistemas de Resíduos (CSR), responsável pela limpeza, fazer recolhas de lixo durante o dia, quando em todas as grandes cidades mundiais tal serviço é feito durante a noite, para evitar incomodar os cidadãos e causar mais problemas no já caótico trânsito.

Outro dos aspectos que merece ser aqui referido é o da limpeza, ou falta dela, nos locais turísticos, nomeadamente nos locais mais antigos e que são Património Mundial da Humanidade.

Não é a primeira vez que a CSR é acusada de não fazer o serviço que lhe é pago. As desculpas são as de sempre. Falta de acessos, ruas difíceis e impossíveis de aceder pelas vias normais e falta de cooperação dos cidadãos.

Como sabemos, Macau é geminado com diversas cidades no mundo e três delas são portuguesas: Coimbra, Porto e Lisboa. Geminações que vêm dos tempos da administração portuguesa e que se mantiveram e vão dando alguns frutos.

Eu usaria o exemplo de uma cidade que também tem a sua zona histórica inserida no Património Mundial da UNESCO e que apresenta, a nível de fisionomia das suas ruelas, algumas semelhanças com Macau. Trata-se de Coimbra, nomeadamente a zona Alta e a zona da Universidade. Mas podia também ser o Porto. No entanto, como a fotografia que tenho foi tirada na cidade do Mondego, simplifica-se o assunto.

Quem conhece, sabe que a Alta de Coimbra é feita de um emaranhado de ruas e ruelas, muitas delas onde não conseguem passar duas pessoas a par. Semelhante ao que acontece em travessas e becos da zona histórica de Macau. No entanto, em Coimbra não existe lixo porque decidiram começar a usar sistemas mecânicos para limpeza das ruas. Deixaram de parte os varredores que faziam o trabalho há muitos anos e que pouco ou nada limpavam, para começar a usar uns «aspiradores» de rua que limpam, lavam, desinfectam e são operados por apenas um funcionário.

Quando me deparei com este funcionário da empresa municipal responsável pela limpeza das ruas lembrei-me da utilidade que tal mecanismo teria em Macau. Em vez de andarem pessoas de vassoura, a arrastar uns caixotes atados com uma corda que mais parece artefacto do terceiro mundo, seria preferível ter as mesmas pessoas a operar uns equipamentos desta natureza.

Segundo o que consegui apurar junto deste funcionário, o aparelho lava a quente e frio, desinfecta e aspira, havendo ainda outros que oferecem também a opção de transportar água que pode ser usada para rega de plantas.

Levantei a questão do abastecimento dos tanques, ao que o funcionário esclareceu que os detergentes e químicos usados eram mais do que suficientes para cinco horas de trabalho contínuo. Quanto à água, podiam atestar os tanques em qualquer boca de água disponível na rua. Relativamente à energia para fazer o equipamento funcionar era proveniente de uma bateria que tinha autonomia de 12 horas e levava apenas duas horas para carregar, pelo que me explicou.

Fica apenas a questão para a CSR resolver. Será que alguma vez iremos ter em Macau algo semelhante e, de uma vez por todas, ter a cidade de Macau limpa de verdade?

Seria bom que, pelo menos uma vez, a empresa concessionária se desse ao trabalho de responder às criticas dos cidadãos. Falo por mim, tenho escrito diversas vezes sobre o assunto e nunca nada me foi respondido. E daqui tiro duas conclusões: ou a CSR não lê os jornais portugueses; ou, se os lê, nem sequer se dá ao trabalho de responder às críticas de que é alvo.


JOÃO SANTOS GOMES

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