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TIAGO MONTEIRO A’O CLARIM

«Quero lutar pelo título do WTCC em 2010»

O português Tiago Monteiro participa no Circuito da Guia para disputar a derradeira etapa do WTCC, com o objectivo de levar a SEAT Sport ao título de construtores e de pilotos. Em entrevista a’O CLARIM, o piloto oficial da marca espanhola espera lutar pelo título individual, em 2010. Descarta um retorno imediato à Fórmula 1 e pretende que os pilotos da sua equipa na GP2 Series – Ocean Racing Technonoly – «lutem pelos títulos». Quanto ao Grande Prémio de Macau é peremptório: «É das corridas mais incríveis no mundo».

 

O CLARIM – A primeira vez que correu em Macau foi ao volante de um monolugar de Fórmula 3, regressando desta vez ao Circuito da Guia para competir na última prova do Campeonato do Mundo de Carros de Turismo (WTCC na sigla inglesa). Que resultado espera alcançar?
TIAGO MONTEIRO – O melhor resultado possível, dentro dos objectivos da SEAT. Mais importante que o resultado individual é o resultado colectivo. Neste momento, estou centrado em ajudar a SEAT a ser campeã do mundo de construtores e de pilotos.

CL – Que balanço faz da sua temporada no WTCC?
T.M. – Foi particularmente difícil, e muito devido às alterações de regulamentação do campeonato. A primeira parte da época não correu tão bem como o esperado, mas as coisas foram melhorando significativamente. O balanço acaba por ser positivo, pois tenho tido um papel importante nos resultados colectivos da SEAT. As pessoas têm de ter em atenção que, numa equipa oficial como a SEAT, os pilotos têm muitas vezes que esquecer os seus próprios interesses, para ajudar e se concentrar nos interesses da equipa.

CL – Ao longo da sua carreira desportiva, competiu em muitas pistas um pouco por todo o mundo. Que opinião tem sobre o Circuito da Guia? Concorda com o apelido que lhe conferem, como sendo o Mónaco do Oriente?
T.M. – Sem dúvida! É uma das corridas mais incríveis no mundo. É sempre um prazer para quase todos os pilotos estarem presentes e competirem no Circuito da Guia.

CL – Na prova de Macau vai contar com a oposição do piloto macaense André Couto. Que impressão tem dele?
T.M. – O André é um bom piloto e tem muita experiência. Vai ser interessante correr com ele. Até porque nos damos muito bem!

CL – Tiago Monteiro participou durante duas épocas na Fórmula 1, com as equipas Jordan (2005), Midland e Skype (2006). Que tipo de sensação tem sempre que relembra os tempos em que disputou o campeonato mais mediático do planeta?
T.M. – Foram duas épocas muito intensas e de muita aprendizagem. A Fórmula 1 é a Fórmula 1. Mesmo com todas as complicações, é sempre um mundo à parte. Foram dois anos excepcionais.

CL – A 19 de Junho de 2005 alcançou o primeiro pódio português na Fórmula 1. Ficou em 3º lugar no Grande Prémio dos Estados Unidos, onde só correram seis carros. Foi uma prova atípica...
T.M. – Foi, obviamente, uma corrida atípica, mas limitei-me a cumprir com o meu papel, que foi o de competir. Não tenho a culpa que as outras equipas (à excepção da Ferrari e da Minardi) não o tenham feito.

CL – No seu primeiro ano no Grande Circo foi considerado o «rookie» do ano. Terminou ainda todas as 18 provas da temporada. A regularidade e um bólide competitivo foram importantes para uma boa época?
T.M. – Sem dúvida! Procurei fazer o meu trabalho bem feito, dentro das limitações dos carros. E isso foi conseguido, não só fruto do meu desempenho, mas também da equipa.

CL – As coisas não correram bem no segundo ano. O que falhou?
T.M. – Não correram bem?! Porquê? Não se pode exigir de uma equipa com um orçamento baixo o mesmo desempenho das equipas da frente. O primeiro ano é que foi fora de série, o segundo foi normal. O problema é que as expectativas estavam muito altas, depois de uma época inicial pouco comum.

CL – Qual foi o ponto mais alto da sua carreira automobilística?
T.M. – São vários os pontos altos da minha carreira, mas, como é óbvio, o pódio em Indianápolis, aquando da minha época de estreia na Fórmula 1. Essa corrida tem um sabor muito especial, mas o ponto que conquistei no GP da Bélgica, no circuito de Spa-Francorchamps, em 2005, também foi bom, assim como todas as minhas vitórias!

CL – E o momento mais frustrante?
T.M. – São todos aqueles em que, por um ou por outro motivo, tive de abandonar uma corrida. As desistências são sempre dramáticas.

CL – Depois da Fórmula 1 decidiu participar no mundial de WTCC ao volante da Seat Sport. Espera um dia tornar-se campeão do mundo no WTCC?
T.M. – Claro. Acho que esse é o objectivo de um piloto em qualquer campeonato.

CL – Ainda sonha com um regresso à Fórmula 1?
T.M. – Estou centrado no WTCC, não penso na Fórmula 1.

CL – No início de 2009 fundou com José Guedes a Ocean Racing Technology. A equipa compete na GP2 Series, ou seja, na antecâmara da Fórmula 1. O objectivo passa por dar condições a algum piloto português, para que ele consiga encontrar um cockpit no Grande Circo?
T.M. – Porque não? Mas mais importante que tudo isso é o desempenho na GP2 e a evolução da nossa equipa.

CL – Espera no futuro ter uma equipa própria na Fórmula 1, à imagem do que sucede com o recente caso de Adrian Campos, ex-piloto da Minardi, que estreará a Campos–Meta no próximo ano?
T.M – Estamos focados na GP2 Series e é nisso que pensamos. A Fórmula 1 não está, para já, nos nossos horizontes.

CL – Quais são os seus planos para o futuro?
T.M – Em termos pessoais, o meu objectivo passa por lutar pelo título no WTCC, em 2010. No que diz respeito à Ocean Racing Technonoly, o nosso objectivo, enquanto equipa, passará por proporcionar aos nossos pilotos condições para – também eles – lutarem pelos títulos.

 

PEDRO DANIEL OLIVEIRA

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