Horizontes |
Salvar Deus |
DIZ o povo que «uma palavra saída do coração guarda calor durante três Invernos». São deste quilate certas afirmações do grande teólogo Jurgen Moltmann sobre Jesus Cristo. À pergunta «Jesus sofreu e morreu, para quê?», costuma-se responder que foi para redimir e salvar o ser humano. Segundo Moltmann, porém, Jesus sofreu e morreu, sobretudo, para salvar a Deus. Efectivamente, em face de tragédias inexplicáveis, do sofrimento de pessoas inocentes, das atrocidades bárbaras cometidas nos campos de concentração, custa-nos admitir que Deus é bom e justo. Afirmamos, com a naturalidade com que se bebe um copo de água, que Deus nos ama, que Deus é puro Amor. Não seria de esperar então que houvesse na Terra menos dores e misérias, menos lágrimas e mortes? Eis então que Jesus Cristo vem em defesa de Deus. Se Deus Se fez homem, é sinal de que ama infinitamente o ser humano. Se morreu crucificado, é porque até o sofrimento e a morte se podem converter em manancial de vida Segundo os filósofos gregos, Deus não se pode misturar com os humanos. Mais ainda: não os pode amar, pois seria rebaixar-se; pode unicamente ser amado e temido por eles. A verdade é que, na pessoa de Jesus, o nosso Deus fez-se humaníssimo. Bento XVI afirmou, na encíclica «Salvos na esperança», que «Deus não pode padecer, mas pode compadecer-se. A pessoa humana tem para Deus um valor tão grande, que Ele próprio Se fez homem para padecer com o ser humano, de modo muito real, na carne e no sangue». Partilhou as nossas limitações para nos compreender a partir de dentro e até ao fundo. A imagem de Deus foi redimida e salva. O Deus impassível, justiceiro, deu lugar ao verdadeiro Deus, misericordioso, amigo e solidário, capaz de sofrer e de amar «até ao extremo».
|
ABÍLIO PINA RIBEIRO In «Mensageiro de Santo António» |
Comentários:
Envie-nos o seu comentário...
Website desenhado para Microsoft Explorer e mantido por Inforset Limitada.