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«Alma mater» – Music from the vatican

Bento XVI canta em CD inédito

As palavras recitadas e cantadas por Bento XVI estão na base do CD «Alma Mater», apresentado na passada semana (10 de Novembro) em Roma à Imprensa internacional. Uma obra que, como a Agência Ecclesia pôde testemunhar, mistura a tradição gregoriana com a música clássica contemporânea, com apontamentos do mundo árabe e hindu.

 

OITO peças inéditas de três compositores (um católico, um ateu e um muçulmano) combinam-se com as orações e reflexões sobre a Virgem Maria que o Papa apresentou no Vaticano e nas suas peregrinações por todo o mundo, em particular pelos diversos santuários marianos. Não falta, por isso, a língua portuguesa, retomando uma reflexão apresentada em Aparecida (Brasil), no ano de 2007, lembrando o «clamor de Fátima pela conversão dos pecadores».

Na Conferência de Imprensa de apresentação da obra, com lançamento mundial marcado para o próximo dia 29 deste mês de Novembro, – 1º Domingo do Advento, – foi sublinhado que se trata da primeira vez que se realizou uma produção deste tipo, com a colaboração da Rádio e do Centro Televisivo do Vaticano (CTV).

O padre Federico Lombardi, director de ambos e porta-voz do Vaticano, fez questão de salientar que não se trata de um «disco do Papa», mas de um álbum que foi inspirado nele e que Bento XVI está «muito disponível para as propostas dos seus colaboradores» no que diz respeito a formas inovadoras de evangelização, com novas linguagens, utilizando as novas tecnologias e promovendo novas relações. «O Papa está consciente da necessidade de busca positiva de novas linguagens» artísticas e musicais, sublinhou ainda.

Ao mesmo tempo que desejava «grande sucesso a este disco», o pe. Lombardi quis deixar claro que o serviço do Vaticano é «de carácter apostólico e não de carácter comercial».

50 palavras

Na génese da obra está o «Regina Coeli», a oração mariana dominical do tempo de Páscoa, que Bento XVI cantou pela primeira vez, enquanto Papa, no dia 1 de Maio de 2005. O padre Giulio Neroni, membro da congregação religiosa Sociedade de São Paulo (mais conhecida como dos Paulistas) e que se dedica à evangelização através do recurso aos Meios de Comunicação Social, ao ouvi-lo, teve a ideia da produção deste CD.

A Secretaria do Estado aprovou o projecto e endereçou-o para a RV, que tem o direito do uso comercial da voz do Papa. Seguidamente, a Rádio Vaticano decidiu conceder à San Paolo Multimédia, – nome da entidade dos Paulistas que trabalha especificamente com este tipo de Meios de Comunicação – o uso da voz, ficando por isso a produção do CD sob a responsabilidade da referida entidade, e não do Vaticano.

Na obra encontram-se oito breves passagens com a voz do Papa, dividida entre orações e reflexões, geralmente de carácter mariano. Sete são em tom recitativo, misturando-se com a música; e uma passagem de canto (o referido Regina Coeli), o que abrange um total de nove minutos e 47 segundos de intervenções papais.

As palavras cantadas por Bento XVI, que podemos ouvir neste álbum, são exactamente 50, misturadas com as vozes do coro da Academia Filarmónica de Roma, gravadas na Basílica de São Pedro, e a colaboração da Royal Philarmonic Orchestra, de Londres, que gravou nos famosos estúdios de Abbey Road.

No livro que acompanha o disco há ainda reflexões marianas escritas pelo cardeal Angelo Comastri, vigário geral do Papa para o Estado do Vaticano.

O CTV disponibilizou imagens para o documentário vídeo associado ao álbum para eventual uso em concertos, o primeiro dos quais está já previsto para o próximo dia 2 de Dezembro, na catedral de Westminster (Inglaterra).

Para o pe. Lombardi, a intenção fundamental do envolvimento do Vaticano num projecto deste género é «procurar experimentar linguagens e modos novos para transmitir uma mensagem religiosa e espiritual», para «aproximar a voz e a pessoa do Papa a um público mais vasto». A música, – disse, – é «uma linguagem eficaz» para comunicar a um grande público juvenil, mas não só; w reforçou a ideia de que este «Alma Mater» é um «esforço digno de respeito e encorajamento».

Lembrando que amanhã (21 de Novembro) vai ter lugar o encontro do Papa com os artistas, o porta-voz do Vaticano afirmou que «a arte é uma aliada natural do espírito», que ultrapassa a crença religiosa de cada um, procurando «relançar esta aliança entre a música e o espírito, para alimentar as dimensões religiosas da pessoa».

Uma parte das receitas obtidas com a venda deste CD será destinada a instituições que oferecem ensino musical a crianças desfavorecidas, segundo foi confirmado na Conferência de Imprensa.

Sonoridade cinematográfica

A inspiração das oito músicas que compõem este CD surgiu de passagens do gregoriano e ladainhas dedicadas a Nossa Senhora.

Os compositores, oriundos da Itália, da Inglaterra e de Marrocos, com experiências muito distantes do canto gregoriano e da música religiosa, são, respectivamente, Stefano Mainetti (católico), Simon Boswell (ateu) e Nour Eddine (muçulmano).

O resultado final é uma fusão surpreendente, em que até a voz do Papa surge com uma doçura a que mesmo os seus ouvintes mais fiéis não estão habituados. Somos quase sempre remetidos para um mundo cinematográfico, mais do que estritamente religioso, procurando provocar emoções e surpreender.

Neste sentido, importa realçar as notáveis combinações entre a tradição musical católica e a música tradicional árabe, feita por Nour Eddine, e a mistura entre antiquíssimos motivos gregorianos e outro hindu, feita por Stefano Mainetti.

O padre Vito Fracchiola, também ele membro da Sociedade de São Paulo, à qual pertence a San Paolo Multimédia, referiu que as pessoas que escutarem este CD não deixarão de notar que «o autor e actor principal deste álbum é o Papa».

Por sua vez,  Colin Barlow, presidente da Geffen/Reino Unido, ao falar desta iniciativa, considerou-a uma «história extraordinária» e um trabalho de «absoluta beleza». Este é «um álbum muito especial e todos estamos orgulhosos de nele termos participado».

Quanto ao número de álbuns que espera vender, Barlow admitiu que este é um «álbum muito popular». Pelo que, em sua opinião, poderão ser vendidas «muitas cópias». E concluiu, dizendo que o «Alma Mater» irá chegar a todo o mundo e a todos os mercados.

 

 

OCTÄVIO CARMO Ecclesia – Texto editado

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