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Inquéritos |
| Considera proveitosa para Macau a visita do secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Cheong Un, a Taiwan? |
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OPINIÃO |
A diáspora vai de férias! |
A notícia era curta, como todas as dedicadas pelos media portugueses aos mais de cinco milhões de portugueses que vivem fora de Portugal. Fiquei sem perceber se esta afirmação de António Braga era uma confissão de «mea culpa», uma crítica aos que não o deixaram realizar a sua política, ou uma simples constatação de que, seja quem for que se encontre á frente dos destinos da nação, tem sempre existido uma profunda indiferença (salpicada aqui e ali por alguns discursos de conveniência...), para com as possibilidades de estabelecer uma profunda e sólida relação, profícua para ambas as partes, com as suas comunidades no estrangeiro. É com profunda tristeza (e mágoa também) que vejo chegar ao fim mais uma legislatura, com um início marcado por francas expectativas, sem que se tenha estruturado uma verdadeira política multidimensional de relacionamento, entre os portugueses que vivem em Portugal e os que se encontram fora do País, que ultrapasse a mera gestão administrativa dos cidadãos ou as festas e romarias, destinadas a alimentar o contexto da «saudade». Mais uma vez constato que tudo o que esteja para além da esfera do «umbigo» nacional, para não dizer de Lisboa ou do círculo restrito de S. Bento, parece encontrar-se a léguas de distância, que nem o tão propalado choque tecnológico e as suas «maquinetas» parecem poder ultrapassar. Podem mostrar-se em Portugal alguns rostos notáveis da diáspora, algumas medalhas ganhas com mérito e justiça, certos espaços de vivência das comunidades e choverem elogios ao esforço e tenacidade dos nossos emigrantes, que a insensibilidade e a curta perspectiva do interesse nacional, demonstrada por grande parte da classe politica portuguesa, em relação aos progressos dos seus cidadãos espalhados pelo mundo, não supera o etnocentrismo da sua visão embaciada por possíveis ganhos ou percas eleitorais. Como os emigrantes votam pouco, pouco se investe na relação com eles! E porque Portugal não nos dá a atenção que julgamos merecer, porque havemos de votar neles? E assim continua a saga dos amores e desamores, entre duas partes do mesmo corpo, separadas pela geografia do planeta, resumida a uma simples contagem numérica de votos nas urnas que, para além de tudo o mais, não conta muito. Será consequência de uma disfuncionalidade do actual sistema democrático ou de uma doença endémica de quem o interpreta? Seja qual for o problema, ele só existe na cabeça de quem não sente a Pátria como Pessoa ou tem uma concepção imediatista da política nacional. Todos aqueles, que são cada vez mais, que partem ou partiram um dia para longe deste «rectângulo», que passaram ou passam por inúmeras provações, afim de garantirem um futuro melhor para si e para os seus e que, independentemente do ostracismo a que foram sujeitos e das dificuldades porque passaram, atingiram os seus objectivos, têm motivos para se sentirem orgulhosos, enquanto portugueses. Eles são os actuais e valorosos pioneiros de uma história antiga, contada em termos épicos por Camões e para quem, tal como para o nosso ilustre poeta, o esquecimento de alguns não apaga a memória colectiva de muitos outros. Nem mesmo o período estival que se aproxima, «recheado» pelo estrebuchar político das próximas eleições legislativas e autárquicas, poderá fazer-nos esquecer da nossa condição de portugueses de «além-mar»; mas, mais forte do que nunca, está o nosso sentimento de pertença a uma Nação, velha de injustiças, mas sempre nova de esperanças. Por isso persistimos em ser «teimosamente» portugueses, à prova de quem nos cala! Para quem Portugal se confina ao litoral de uma península, que não se mostre espantado com a densidade populacional que vai encontrar nas nossas praias e florestas, cidades, vilas e aldeias, durante a estação que agora começa. Se, apesar da crise e muito incompreensivelmente, muitos residentes no País escolhem o estrangeiro para passar e «decorar socialmente» as suas férias, os portugueses que vivem no estrangeiro vêm esmagadoramente para Portugal. Não são turistas,... não,... são portugueses também.
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LUIS BARREIRA |
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