O Clarim - Menu esquerda
Inquéritos
Está com excesso de peso. Porquê?
1 – Má alimentação
2 – Falta de exercício
3 – Insónias
4 – Problemas de Saúde

 

 
csSearch by CGI Script.net
 

«MACAU ASIA EXPRESS» E «GOLDEN DRAGON» EM RISCO DE PERDEREM SUBCONCESSÕES

As primeiras vítimas

Foram manchete e a razão de inúmeros artigos e reportagens nos Órgãos de Comunicação Social em 2005. Após quatro anos de sucessivos recuos, adiamentos e poucos progressos, as companhias aéreas Macau Asia Express e Golden Dragon estão a dois meses de perderem as respectivas subconcessões. A forma como as licenças foram pensadas e atribuídas são a causa apontada para o fracasso.

 

AS subconcessões atribuídas pela Air Macau às companhias aéreas Viva Macau, Macau Asia Express (MAE) e Golden Dragon terminam no terceiro trimestre deste ano.

À excepção da Viva Macau, que está a voar desde Dezembro de 2006, tudo indica que a MAE e a Golden Dragon não irão ver renovadas as respectivas licenças de subconcessão, uma vez que, até ao momento, não cumpriram os trâmites necessários para poderem iniciar as suas operações de voo.

Depois de sucessivos adiamentos, que levaram o Governo, através da Autoridade de Aviação Civil (AACM), a adiar o prazo para o início das operações por diversas vezes, foi estipulada uma data limite – final de Agosto, segundo apurámos – sendo as licenças de subconcessão retiradas definitivamente às companhias, em caso de (quase certo) novo incumprimento.

Se as autoridades não recuarem nesta decisão, tanto a MAE como a Golden Dragon verão os seus projectos inviabilizados, tendo – pressupõe-se – de voltar a cumprir todas as formalidades burocráticas necessárias para poderem operar em Macau, se assim o desejarem.

Falta de estratégia

Se a Golden Dragon foi um «nado-morto» à partida, dadas as características do seu negócio – a subconcessão apenas lhe permite realizar voos até cem passageiros, pelo que o rácio custo-assento é muito elevado, – já a Macau Asia Express reunia todas as condições para poder vir a ser uma empresa de sucesso.

Constituída pela Air Macau (51%) e pela ST-CNAC (parceria entre a Shun Tak, de Stanley Ho, e a China National Aviation Company), com 49%, a MAE foi pensada para o mercado regional de baixo custo, servindo de complemento à Air Macau.

A ausência de um plano estratégico concertado e a difícil situação financeira do accionista maioritário (Air Macau) viriam, no entanto, a deitar por terra as aspirações da MAE, tendo a maioria dos quadros superiores abandonado o projecto no último trimestre de 2007, quando a companhia se preparava para entrar no mercado.

Volvidos quase dois anos, as opiniões ouvidas pel’O CLARIM são unânimes em afirmar que a culpa do fracasso da MAE se deve principalmente à «falta de visão da Air Macau».

«Sempre encarou a MAE como um concorrente directo, como faz com a Viva Macau. Não compreende que as companhias de baixo custo não servem o mesmo tipo de passageiros que procuram a Air Macau», explicaram a’O CLARIM, completando de seguida: «A Air Macau tinha tudo a ganhar, se firmasse parcerias com a MAE. Sendo a sua principal accionista, devia ter sido a primeira a procurar que o projecto avançasse».

Nos últimos anos, as grandes companhias aéreas têm vindo a apostar forte no mercado de baixo custo, através da constituição de novas empresas, cuja gestão, embora autónoma, segue uma estratégia comercial complementar.

Governo com pulso fraco

Para além das perdas financeiras iminentes resultantes do fracasso dos projectos, esta situação demonstra o «pulso fraco do Governo» na gestão do sector da aviação local.

«Na mesma altura em que obrigou a Air Macau a atribuir três subconcessões, o Governo devia ter chamado a si o monopólio das rotas regulares [os voos charter, independentemente de serem ou não regulares, são pedidos directamente à AACM]. Não o fez! E assim permitiu que a Air Macau continuasse dona e senhora de todas as rotas, controlando o sector a seu bel-prazer». Um exemplo: «A Air Macau retirou à Viva Macau a rota de Phuket com o pretexto de que iria passar a voar regularmente para aquele destino. Depois de meia dúzia de viagens desistiu, com a desculpa de que não era rentável. A Air Macau não fez, nem deixou fazer! Quem ficou a perder foi a população e a economia do território».

Em Hong Kong, há vários anos que a Cathay Pacific deixou de deter o monopólio das rotas regulares, tendo, contudo, salvaguardado o direito de preferência.

Na prática, sempre que outra qualquer companhia local pretende abrir uma nova rota, a autoridade de aviação civil da RAEHK apenas concede a respectiva autorização de voo depois de consultar a Cathay Pacific. Se esta estiver interessada, a rota é-lhe atribuída, tendo de respeitar escrupulosamente a frequência e os horários de voo entretanto estipulados. Caso não esteja nos seus planos, a rota é libertada para outro operador.

Em 2005...

... o Governo, desiludido com o rumo que a concessionária Air Macau estava a seguir, obrigou aquela companhia a conceder três subconcessões para o transporte aéreo. Pretendia-se, assim, diversificar, estimular e aumentar a oferta de novos destinos e produtos, a partir do aeroporto de Macau.

Consequentemente, nasceram três projectos orientados para o mercado de baixo-custo: a Viva Macau, vocacionada para voos de longo curso; a Macau Asia Express, para voos regionais; e a Golden Dragon, para voos regionais até cem passageiros.

 

JOSÉ MIGUEL ENCARNAÇÃO

Comentários:

 

 


Envie-nos o seu comentário...

Nome (obrigatório):

E-mail (obrigatório):

Comentário (obrigatório):

Autor

Website desenhado para Microsoft Explorer e mantido por Inforset Limitada.