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EDMUND HO PREPARA TERRENO PARA CHUI SAI ON – HO IAT SENG NA AL COM MISSÃO PRÉ-DEFINIDA – CASIMIRO PINTO E MELINDA CHAN ELEVAM FASQUIA – «VOZ PLURAL» RECUSA ENTREVISTA A’O CLARIM

Macau refogado

O primeiro ano do mandato de Chui Sai On promete ser fácil. Edmund Ho está empenhado em fechar os dossiês mais delicados até Dezembro, permitindo deste modo ao ex-secretário preocupar-se apenas com a concretização das actuais linhas de acção governativa. Ao mesmo tempo, os lugares da Assembleia Legislativa vão sendo ocupados por personalidades, de alguma forma, relacionadas com o Executivo, com o objectivo de assegurar a continuidade do status quo vigente. Entretanto, Casimiro Pinto e Melinda Chan surpreenderam tudo e todos com o anúncio dos objectivos delineados para 20 de Setembro. E o candidato filipino da lista «Voz Plural» não foi autorizado a conceder uma entrevista a’O CLARIM.

 

A CINCO meses de deixar o Palácio da Praia Grande, o actual Chefe do Executivo, Edmund Ho, está a arrumar a casa para o próximo Chefe do Executivo, Chui Sai On.

Dossiês como a Ilha da Montanha, a construção de habitação social e o ansiado concurso público para os transportes colectivos, conheceram mais desenvolvimentos esta semana do que nos últimos doze meses.

Entre as referidas matérias, a questão da expansão da Universidade de Macau para a Ilha da Montanha era a mais melindrosa, uma vez que toca em aspectos políticos sensíveis e difíceis de gerir.

Sabendo Edmund Ho que Chui Sai On é hoje encarado como um «menino rebelde» aos olhos de Pequim, – mas surpreendentemente bem aceite pela população local, de acordo com um inquérito realizado pela Associação da Nova Juventude Chinesa de Macau, – havia toda a urgência em encerrar o tema Ilha da Montanha o mais rapidamente possível, não fossem as portas fecharem-se ao novo Governo.

Para Edmund Ho, a autorização dada pelo Governo Central foi uma prenda de Pequim pelo décimo aniversário da RAEM. Mas não! Tratou-se, acima de tudo, de uma prenda para ele e para o seu sucessor. O Chefe do Executivo somou mais alguns pontos aos que vem conquistando diariamente com a entrega da comparticipação pecuniária e dos vales de saúde; Chui Sai On, esse, ficou aliviado de mais um problema no futuro.

No que respeita à construção de habitação social, – tema muito focado pelos deputados mais contestatários da Assembleia Legislativa (AL), – o secretário para os Transportes e Obras Públicas, Lau Sio Io, lançou esta semana a primeira pedra de um complexo habitacional na Taipa, tendo ainda anunciado o início e conclusão de outros projectos de características semelhantes para Macau.

Nesta matéria, pelo menos até 2011, Chui Sai On e a equipa governativa que vier a formar irão ter sempre como responder quando interpelados pelos deputados da AL.

Por último, o anúncio do concurso público para a adjudicação do serviço de autocarros não poderia ter vindo em melhor altura, na medida em que os interesses envolvidos no sector iriam obrigar Chui Sai On a jogos de bastidores demasiado exigentes para um início de mandato que o candidato pretende que seja calmo.

Ainda neste quadro, é bem provável que Edmund Ho, até ao final do mandato, anuncie a construção de um novo hospital público, – uma das maiores exigências da população e que Chui Sai On, enquanto foi secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, não soube ou não quis resolver, – e apresente soluções para o futuro da Air Macau.

Para além dos pontos até agora focados, destaque também para o início de funções da Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental, – a rapidez com que foi criada quase se assemelha à celeridade do processo de constituição do Gabinete para as Infra-estruturas de Transportes, –  cujo «número excessivo de funcionários (107)» e a «ausência de um plano de acção imediato» já mereceu reparos por parte de alguns deputados.

Ho Iat Seng: o amigo da AL

Ao mesmo tempo que o Governo procura fechar o máximo número de dossiês até Dezembro, as recentes movimentações para a Assembleia Legislativa na esfera do sufrágio indirecto têm como objectivo principal reduzir o peso político das forças que venham a ser eleitas pela via directa.

Por outro lado, parece haver o cuidado de não deixar Chui Sai On apenas apoiado pelos deputados nomeados, razão que ajuda a explicar o porquê das candidaturas de Ho Iat Seng e Fong Chi Keong pelo sufrágio indirecto. Ambos são amigos e corroboram as ideias de Chui, defendem o status quo vigente e têm aversão a todo o género de manifestações pró-laborais.

Protegido de Edmund Ho, Ho Iat Seng terá como missão fazer a ponte entre o futuro Governo de Chui Sai On e a AL, para além de conseguir obter o máximo consenso em torno das propostas de lei que regularmente chegam àquele órgão de poder.

Para melhor atingir estes objectivos, Ho Iat Seng sabe que a presidência da AL é o melhor instrumento para o efeito, sendo quase certo que irá tentar suceder a Susana Chou na mesa da Assembleia.

Garantida está a permanência de Chui Sai Cheong e Leonel Alves no hemiciclo dos Lagos Nam Van, que mais do que nunca irão apoiar incondicionalmente o próximo Chefe do Executivo na sua acção governativa.

Recorde-se que Chui Sai Cheong foi o grande obreiro da primeira fase da candidatura do irmão, Chui Sai On, tendo recolhido apoios em todas as frentes.

Casimiro e Melinda apostam alto

O cabeça de lista do movimento «Voz Plural, Gentes de Macau», Casimiro Pinto, está confiante na sua eleição para a Assembleia Legislativa. O mesmo é afirmar que o tradutor-intérprete considera possível vir a multiplicar por dez a votação obtida por Sales Marques, em 2005, dado que menos de oito mil votos poderão não ser suficientes para eleger um deputado.

Embora legítima, a confiança de Casimiro parece excessiva, se se tiver em conta que este ano – ao contrário do que era previsível – há menos listas inscritas para o sufrágio directo e o número de eleitores aumentou em cerca de trinta mil. Como referimos na última edição, o comportamento da abstenção poderá também vir a ser preponderante para o desfecho da contenda.

Ao contrário de outros candidatos, Casimiro e os seus pares não têm qualquer experiência política e tradição de contacto com as classes mais desfavorecidas, representando estes dois factores um desafio acrescido para a «Voz Plural».

Por sua vez, Melinda Chan, mulher de David Chow, colocou igualmente a fasquia demasiado elevada, ao apontar como objectivo último a eleição de dois deputados.

Mesmo ciente de que David Chow foi o último deputado a ser eleito em 2005, com 6079 votos, a cabeça de lista da «Aliança Pr’a Mudança» não só dá como consumada a vitória, como acredita poder levar consigo para a AL o número dois da lista, Wu Kam Hon.

«Voz Plural» silencia candidato

O candidato número 7 da «Voz Plural, Gentes de Macau», Rodantes Quejano, foi convidado pel’O CLARIM para uma curta entrevista no início desta semana.

Depois de muito protelar, acabou por aceitar falar a este jornal, tendo ficado praticamente assente que, na quarta-feira (1 de Julho), as duas partes se haveriam de encontrar.

Chegado o dia D, Rodantes disse precisar da autorização dos responsáveis pela candidatura, tendo sido aconselhado a ficar calado.

A Redacção d’O CLARIM lamenta o sucedido, ficando a aguardar uma nova  oportunidade para poder dar a conhecer aos seus leitores o que pensa o representante da comunidade filipina na lista «Voz Plural, Gentes de Macau».

 


JOSÉ MIGUEL ENCARNAÇÃO

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