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COISAS & LOISAS

Um exemplo de sucesso

 

DESDE a passada segunda-feira que Macau é palco de manifestações de cariz lusófono. Este ano comemoram-se os onze anos do evento que festeja a lusofonia no território. Desde 1997 que, com o apoio do Governo, se vem organizando este evento que une todas as comunidades falantes de língua portuguesa. Tanto quanto sei, evento único a nível mundial. Em mais lado nenhum do mundo se encontra uma manifestação como esta.

Este ano, devido à importância que tem vindo a adquirir no panorama cultural da região, passou de Festa da Lusofonia para Festival da Lusofonia e de três para sete dias. Um crescimento que se deve à participação do Fórum da Cooperação Económica entre a China e os Países de Língua Portuguesa e à importância que o Governo, tanto o de Macau como o Central, atribuem cada vez mais às nossas comunidades.

Segundo os princípios do festival, o objectivo é promover os aspectos culturais de raiz portuguesa assim como, e a partir deste ano, chineses, especialmente os contactos existentes entre as duas culturas e a influência entre elas ao longos dos séculos. Assim como tem por objectivo prestar tributo às comunidades lusófonas residentes em Macau que, no decurso dos anos, contribuíram e continuam a contribuir para o desenvolvimento desta nossa terra.

Por outro lado, é também uma das metas deste festival afirmar-se como um evento de relevante importância no calendário cultural e de festas de Macau, promovendo a animação cultural e recreativa da RAEM e criando mais um pólo de convergência para as suas populações.

A organização ambiciona ainda, através desta iniciativa, promover a cultura própria de Macau resultado da mistura de elementos orientais, designadamente e predominantemente chineses e ocidentais, ambos ligados à cultura de raiz portuguesa. Uma cultura que, na sua génese, é a identidade que faz de Macau o local especial e que todos reconhecem como diferente.

Este ano, como se referiu anteriormente, o evento assume maiores proporções, passando a uma semana e estende-se à cidade, em vez de ficar confinado ao Carmo, zona histórica e de cariz tipicamente portuguesa, situada na Ilha da Taipa. Depois de ter também sido organizado no Centro de Actividades Turísticas, a Lusofonia vai espalhar-se pela cidade indo ao encontro de todos os que vivem no território. Este ano conta com actuações no Largo do Senado, onde se espera uma grande adesão, especialmente dos turistas, e no Iao Hon, onde a organização espera que a população que vive naquela zona da cidade adira à iniciativa.

Com o passar dos anos, e ao contrário do que muitos previam, a Lusofonia continua viva e cada vez mais forte em Macau. E, para os mais cépticos, a resposta mais clara vem de Pequim, com a implícita ordem para o Governo passar a apostar cada vez mais em tudo o que diga respeito às ligações históricas de Macau com o mundo de língua portuguesa. Uma vantagem que Pequim, ao contrário de muitos dos decisores de Macau, há muito tempo se apercebeu e começa agora a tentar tirar o maior partido possível numa base de igualdade e de partilha de proveitos.

Português esquecido, mais uma vez

Sobrepondo-se ao Festival da Lusofonia, que termina este fim-de-semana, começa hoje outro evento de relevo em Macau. Refiro-me ao Festival da Gastronomia, que vai já na oitava edição. Tem hoje início e prolonga-se até ao dia 23 na Praça dos Lagos Sai Van, como já vem sendo habitual. Este ano, apesar de toda a fanfarra com que foi apresentado, destoa porque, ao contrário dos outros anos, a segunda língua oficial da RAEM parece ter sido esquecida. Apesar de ser patrocinado por três instituições do Governo, a União das Associações dos Proprietários de Estabelecimentos de Restauração e Bebidas de Macau (a entidade reguladora do evento) parece ter ignorado o português no cartaz onde o promove, assim como outras informações relevantes.

Parece não ser um assunto de grande importância, – poderão alguns dos leitores pensar, – mas no entanto são estes pequenos esquecimentos que vão fazendo a regra aqui em Macau. E, apesar de ser possível alegar que a União em questão não terá capacidade para redigir a informação em português (o que não acredito porque deverão existir membros da colectividade que têm como língua materna a portuguesa), o mesmo já não se perdoa sabendo-se que a co-organização está a cargo da Associação dos Jornalistas de Macau que, antes de mais, tem a obrigação defender as línguas oficiais e o cumprimento de todas as regras estabelecidas para o território.

 


JOÃO SANTOS GOMES

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