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Esquizofrenia

 

ESTIVÉSSEMOS nos Estados Unidos da América e o Artigo 23.º da Lei Básica já estava a ser divulgado em pacotes de bolachas, pastilhas elásticas e blusas (um parágrafo por semana, até ser publicado em Boletim Oficial).

A meio da crise económica, – em Macau ainda só se fala de abrandamento, – as atenções viraram-se para uma questão que considero ser de somenos importância, quando comparada com outras bem mais relevantes para os cidadãos.

O filme a que se assiste faz-me lembrar alguns comentários que oiço sempre que falo da minha cidade asiática preferida: Singapura: «Tem muitas regras»; «um sistema extremamente rígido»; «é demasiado organizado»; «não respeitam os direitos humanos»; «há multas por tudo e por nada». A estes argumentos contraponho com «educação»; «dever»; «respeito»; «ordem»; «responsabilidade»; «patriotismo»; «segurança» e «limpeza». O que refutam dizendo: «Para mim não dava!». Então pergunto: – Porquê? Invariavelmente respondem: «Tem muitas regras».

Quer isto significar que, ao contrário daquilo que seria de esperar, a maioria gosta de ter a liberdade de destruir a liberdade dos outros. É que o Homem, quando integrado em qualquer Sociedade, tem, «para seu bem e de seu semelhante», de cumprir regras de cidadania e de vivência comum. Ora, o mesmo se aplica à segurança dos Estados.

Desde que o Governo, na pessoa do Chefe do Executivo, Edmund Ho, apresentou a proposta de lei necessária para legislar – prefiro ratificar, corrijam-me se estiver errado – o Artigo 23.º, foram muitos aqueles que, – uns mais esclarecidos, outros nem tanto, – comentaram esta iniciativa política, chegando-se à conclusão que os maiores receios vêm da «Oposição» (oposição ao Governo, à Sociedade, à China, a tudo).

Sábias foram as declarações dos que defenderam a necessidade do Executivo explicar, «tim-tim por tim-tim», os conceitos presentes na proposta de lei. Neste ponto concordo e subscrevo. Mas neste e só neste! Na realidade, quem de nós tenciona cometer crimes contra a Pátria-Mãe chinesa?

A esquizofrenia colectiva em redor do Artigo 23.º irá terminar da mesma forma que o caso Ao Man Long: combatida por um qualquer antibiótico populista, que nos faça apenas pensar nas vantagens de estar em Macau, longe – por enquanto – da crise financeira.

BPN

Em Portugal rebentou o escândalo do Banco Português de Negócios (BPN), – um tudo ou nada semelhante ao Delta Asia.

O ex-ministro das Finanças, Miguel Cadilhe, e Companhia cometeram a proeza de levar o BPN à «banca rota», depois de, à semelhança de outras instituições bancárias/financeiras, terem efectuado aplicações de alto risco sem quaisquer salvaguardas. A isto chamo TERRORISMO FINANCEIRO.

O Governo socialista, pretendendo dar uma imagem de vitalidade, foi atrás dos parceiros europeus e avançou para a nacionalização do BPN, estando a braços com um bébé indesejado.

Como seria de esperar, o actual ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, recorreu aos administradores da Caixa Geral de Depósitos e passou-lhes a «batata quente» na esperança que estes lhe resolvam o problema, ainda para mais quando a Assembleia da República portuguesa já começou a analisar proposta para o Orçamento de Estado de 2009.

Depois de Macau, por via do Banco Nacional Ultramarino, a CGD volta a ser chamada para conduzir os destinos de uma congénere, mas, desta vez, em Portugal.

Se por cá nada se descobriu e também nada se veio a provar, já no caso do BPN muito virá à público, tendo em conta a rede de interesses dos seus administradores e clientes, cuja extensão abrange os quatro cantos do mundo. Uma questão a seguir com atenção durante os próximos meses.

A terminar, um pequeno apontamento sobre Stanley Ho: há vários meses que o magnata vem sendo notícia a pretexto dos negócios da Geocapital e da Sonangol em Angola. Trata-se de investimentos de milhões em várias áreas que muito irão contribuir para o desenvolvimento do País africano e, claro está, para engrossar a fortuna do patrão da SJM.

Quanto a esta matéria, nada tenho a criticar. Aliás, bem pelo contrário. Hoje entendo os recados de insatisfação enviados a’O CLARIM pela publicação de um artigo intitulado «O reino da rolha», em que demos conta do silêncio do Fórum China/PLP’s relativamente aos trabalhos desta entidade na RAEM, na China, em África, enfim, no mundo.

Teremos, na altura, divulgado algum segredo de Estado?

 


JOSÉ MIGUEL ENCARNAÇÃO

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