BARACK OBAMA: NEVADA ADERIU À «MUDANÇA» |
Patrões do jogo perdem aposta |
| Sheldon Adelson ofereceu dinheiro, organizou almoços, jantares e conferências. Tudo no Venetian de Las Vegas. Pago a peso de ouro. Steve Wynn e Terry Lanni, esses, foram mais discretos. Limitaram-se a doar uns quantos dólares. No final, o Nevada foi contra eles e votou Obama. Apoiar John McCain revelou-se um erro estratégico, resultado do medo da mudança e dos sindicatos dos trabalhadores. Depois da queda das Bolsas e da diminuição das receitas, a derrota dos republicanos veio agravar ainda mais o final de ano dos patrões do jogo. |
A aproximação dos três empresários à candidatura de John McCain, – o primeiro, através da organização de eventos para recolha de fundos; e os restantes dois, pela via das doações, – valeu-lhes ficarem para sempre ligados à história da política norte-americana, pelas piores razões: apoiaram o adversário do primeiro presidente negro do País... e perderam; apostaram na vitória do Partido Republicano nas eleições para o Congresso, tendo aquele perdido força no Senado e na Câmara dos Representantes; e, por último, revelaram um total desconhecimento das dificuldades por que passam actualmente os trabalhadores americanos, não sendo a indústria dos jogo a excepção à regra. Embora a maioria da população dos Estados Unidos considere que as políticas do ainda presidente George W. Bush foram um fracasso, Adelson, Wynn e Terri não hesitaram em doar somas avultadas de dinheiro a John McCain que, na qualidade de senador (do Arizona), esteve quase sempre ao lado de W. Bush ao aprovar mais de noventa por cento das propostas emanadas da Casa Branca. De entre os três magnatas, o caso mais curioso é o de Steve Wynn, uma vez que, ao mesmo tempo que doava dinheiro aos republicanos, a sua mulher fazia exactamente o mesmo relativamente aos democratas. Já no que respeita a Sheldon Adelson e Terry Lanni, a rivalidade entre os dois foi momentaneamente esquecida, tendo ambos «trabalhado», em conjunto, no financiamento da campanha de McCain. Hoje se prova que estes três empresários erraram por completo na escolha do candidato, dado que os resultados das primárias (caucus, no caso do Nevada) – tanto do Partido Democrata, como do Partido Republicano – deixavam antever a vitória de Barack Obama no Estado-Casino. Apesar de Hillary Clinton ter ganho o caucus do Nevada com mais de cinquenta por cento dos votos (50,8%), relegando Obama (45,1%) para o segundo lugar, o facto de John McCain (12,7%) ter sido terceiro, atrás dos seus colegas do Partido Republicano, Mitt Romney (51,1%) e Ron Paul (13,7%), revelou, logo à partida, que dificilmente o ex-militar ganharia a Clinton ou a Obama no confronto directo. Na realidade, depois de conhecidas as nomeações de Barack Obama e John McCain para as eleições gerais, o Nevada passou a constar da lista dos Estados-chave, com base num importante pormenor: Mitt Romney e Barack Obama foram os candidatos que mais Estados venceram em comum durante a primeira fase das primárias (Alaska, Colorado, Minnesota, Missouri, Montana, North Dakota e Utah), pelo que a ausência de um deles poderia resultar na vitória do outro, como veio a suceder no Colorado – já não elegia um democrata desde 1992 – no Minnesota (tradicionalmente democrata) e esteve muito perto de acontecer no Missouri e no Montana. O Alaska, o North Dakota e o Utah são Estados tradicionalmente republicanos. Assim, dado que McCain foi a terceira escolha dos republicanos no Estado do Nevada e Obama a segunda dos democratas, bastava a este último conquistar algum do eleitorado de direita. Uma tarefa revelada fácil se se tiver em conta as afinidades políticas entre o senador do Illinois e Mitt Romney, ele que já foi governador do Massachusetts, um Estado também tradicionalmente democrata. Mas o erro de casting cometido pelos senhores do jogo não encontra explicação apenas na falta de sensibilidade política. O medo dos sindicatos dos trabalhadores é outras das razões para se terem colocado ao lado de John McCain, principalmente no caso de Steve Wynn, que, – segundo alguma Comunicação Social, – até está inscrito no Partido Democrata. Las Vegas não passou ao lado da crise que se abateu sobre os Estados Unidos, sendo disso exemplo a desvalorização das acções dos operadores de jogo e a diminuição das receitas dos casinos, para além do aumento do desemprego e da insegurança. Para o senador do Nevada, Harry Reid, eleito pelo Partido Democrata, «esta não é a vitória de um partido ou de uma ideologia. É a vitória da mudança e da esperança». A mudança que Sheldon Adelson, Steve Wynn e Terry Lanni parecem recear. E agora? Barack Obama foi eleito e o mundo espera agora que a mudança prometida se venha a concretizar. Estas são as únicas certezas até ao momento, tudo o resto é um grande incógnita. À semelhança do que sempre acontece nos períodos pós-eleitorais, as atenções dos OCS irão estar centradas na escolha do elenco governativo que irá acompanhar Obama na condução dos destinos da América. Aliás, esta é uma questão que começou a ser discutida ainda antes do dia das eleições, com vários nomes a circularem nos jornais como, por exemplo, o de Robert Gates, actual secretario de Estado da Defesa. Caso o novo presidente pretenda mantê-lo no cargo, Gates apresenta a mais-valia de ter conseguido fazer esquecer Donald Rumsfeld, uma figura controversa que marcou de forma negativa as relações externas dos Estados Unidos, principalmente durante o primeiro mandato de George W. Bush. Com a eleição de Obama, esta e outras incógnitas tenderão a marcar a discussão pública e política até à sua tomada de posse, a 20 de Janeiro: Como irão as tropas retirar do Iraque no espaço de dezasseis meses? Como será feita a incursão pelo Paquistão na tentativa de capturar Bin Laden? De que forma irá a Casa Branca lidar com a União Europeia? E com os colegas da NATO? Com a Rússia? Com o Irão? Com a China? Partindo do pressuposto que Barack Obama irá manter a tradição, durante os primeiros cem dias de mandato não deverá ausentar-se dos Estados Unidos, pelo que já definiu uma agenda para esse período: iniciar o processo de retirada das tropas do Iraque, criar um plano de saúde universal e avançar com medidas energéticas alternativas. Ao mesmo tempo irá procurar inteirar-se da real situação económica dos Estados Unidos, estando qualquer futuro pacote de medidas dependente das conclusões dessa avaliação. Até porque, na prática, o Plano Paulson apenas foi pensado para o momento e não apresenta qualquer solução para recuperar o tecido empresarial e agrícola, proceder a novos investimentos e revitalizar os mercados imobiliário e de capitais. Sendo democrata e proveniente de origens humildes, Obama irá tentar, desde o início das novas funções, resolver o problema da exclusão, um mal social que tem vindo a aumentar nos Estados Unidos diariamente. A título de exemplo, a 5ª Avenida de Nova Iorque está hoje transformada num abrigo a céu aberto, com as ruas a servirem de dormitório a quem já deixou de sonhar.
|
Comentários:
Envie-nos o seu comentário...
Website desenhado para Microsoft Explorer e mantido por Inforset Limitada.