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QUESTIONADO NA AL SOBRE TEMAS DA SUA GOVERNAÇÃO

Edmund Ho «passa a bola» ao próximo Chefe do Executivo

Em resposta aos deputados, Edmund Ho defendeu ontem na Assembleia Legislativa a contratação de mão-de-obra não-residente; explicou o modo como os fundos monetários vão ser aplicados na reconstrução e na ajuda às vítimas de Sichuan; e apontou medidas para a defesa da indústria manufactureira. Mas o essencial ficou por responder. Numas vezes, esquivou-se às perguntas, noutras, «passou a bola» para o próximo inquilino da Praia Grande.

 

«TALVEZ o próximo Chefe do Executivo tenha mais inteligência para lidar e para resolver esta situação. A minha missão é fazer essa transição [...] porque qualquer caminho não é plano, mas sim tortuoso».

Foi desta forma que Edmund Ho, respondeu ao deputado Chan Meng Kam sobre a promoção da educação, da cultura e da sensibilidade, como forma de elevar a competitividade da sociedade local em relação ao exterior.

Implicitamente, Ho defendeu a contratação de mão-de-obra não-residente para fazer face ao desenvolvimento dos vários sectores da sociedade, com a indústria do jogo no topo da pirâmide. Para amenizar as suas palavras disse ainda: «há pessoas que reclamam que não conseguem encontrar um bom emprego, mas não conseguimos avaliar quem tem razão».

Admitindo perante os deputados ontem presentes na Assembleia Legislativa que está a reflectir sobre o tema, mas que ainda não encontrou uma resposta, o governante decidiu pegar no turismo para melhor explicar a sua linha de pensamento: «Em determinados momentos só podemos usar a China Continental e Taiwan, [...] mas no futuro podemos expandir-nos para outros destinos. Por agora temos condições físicas, mas não humanas». O mote estava dado e as interrogações vindas por parte do Chefe do Executivo surgiram de imediato: «Será que isso se poderá alterar na próxima geração ou teremos que recorrer à mão-de-obra vinda do exterior? Porque é que os melhores lugares não são reservados para a população local?».

E foi o próprio Edmund Ho a dar as respostas: «Não temos alternativa, temos que encontrar um equilíbrio». Nesse aspecto, continuou, «o Governo da RAEM não pode adoptar uma atitude a seu bel-prazer para resolver toda a situação, porque não é possível restringir a vinda de todos os trabalhadores não-qualificados», particularmente aqueles que laboram na construção civil. Vincando que em Macau «existe um regime democrático», o sentido da sua explicação foi direccionada para a livre concorrência no mercado de trabalho.

Apanhando a boleia, o deputado Ng Kuok Cheong quis saber que medidas vai o Governo implementar para controlar as cotas destinadas aos trabalhadores não residentes, bem como a sua gradual diminuição. Edmund Ho respondeu que 60 ou 70 por cento dos trabalhadores não residentes que laboraram no sector do jogo pertencem actualmente à construção civil.

«Com a conclusão de algumas obras, o número vai ser reduzido rapidamente», disse, garantindo de seguida que a política do Governo passa por elevar a qualidade da população de Macau. «Embora existam já melhorias ao nível da competitividade, é preciso perceber que temos de acelerar o nosso ritmo. Por isso, é necessário um maior investimento para as gerações vindouras».

Edmund Ho reconheceu ainda que existem hoje mais quadros qualificados provenientes de Macau, formados nas universidades, mas que nem todos querem optar pelo sector do jogo, adiantando mesmo que alguns deles optam por ingressar no mercado de trabalho no estrangeiro. Depois veio a revelação que faltava: «Temos que ser generosos para nós próprios, mas também tolerantes para com os outros».

Provocante e incisiva foi a afirmação e a pergunta do deputado Ung Choi Kun: «É irreal e irresponsável o Chefe do Executivo dizer que vai cumprir com todas as promessas. Como vai, por exemplo, promover a transparência durante a governação?». Ho preferiu mais uma vez «passar a bola» para o seu sucessor. «O meu mandato acaba no próximo ano, mas a governação da RAEM vai continuar». Pelas Linhas de Acção Governativa (LAG), constam trabalhos para vários anos, por isso «é muito importante que se eleve a qualidade da governação». Nesse sentido, «algumas das promessas assumidas pelo Governo neste mandato vão ser cumpridas ainda este ano. E os futuros chefes do executivo vão continuar com o trabalho que é delineado pelas LAG».

Defesa do sector manufactureiro

A decadência do sector manufactureiro em Macau foi o tema abordado pelo deputado Tsui Wai Kwan, que quis saber que políticas vai o Governo implementar para que as empresas do ramo possam continuar a investir no território. Edmund Ho respondeu que a melhor forma de obter respostas céleres passará por organizar uma palestra de alto nível e que ela deverá contar com a participação de representantes dos sectores industrial e da exportação, para que se possam encontrar soluções que garantam a exportação dos produtos nos próximos cinco anos. «Com o CEPA, podem-se também encontrar novas perspectivas de desenvolvimento, bem como a sua consolidação», acrescentou, prevendo ao mesmo tempo que «o sector vai sofrer alguns impactos no próximo ano». No entanto, não disse se são positivos ou negativos.

Dinheiros para Sichuan vão ser fiscalizados

Por sua vez, o deputado Sam Chan Io quis saber de que forma está a ser aplicado o dinheiro que o Governo de Macau canalizou para apoiar as zonas afectadas pelo sismo na Província de Sichuan, no Continente. «Os recursos financeiros anuais despendidos na ajuda à catástrofe vão ser gastos de acordo com as necessidades e serão apresentados na Assembleia Legislativa», garantiu Edmund Ho, que espera congregar esforços junto das empresas locais, para conjuntamente participarem nos trabalhos de reconstrução. «Entre os próximos três a cinco anos, o Governo da RAEM pensa gastar um total não superior a cinco mil milhões patacas, a que se acrescem mais 500 milhões de patacas da Fundação Macau», explicou. O governante adiantou ainda que Francis Tam se irá deslocar, na qualidade de presidente de uma comissão coordenadora local, àquela província chinesa para encetar encontros com vista a delinear a primeira fase dos trabalhos de reconstrução. «O secretário para a Economia e Finanças vai também garantir que os recursos provenientes de Macau sejam legalmente fiscalizados». Ao mesmo tempo disse pretender que o sector turístico de Sichuan seja activado. Quanto ao resto, «mais informações, só depois de terminada a deslocação de dois dias do secretário Francis Tam».

Abrandamento da economia não afectará obras sociais
 

«Creio que nos próximos anos todas as obras de carácter social não vão ser reduzidas para se adaptar às circunstâncias económicas». A garantia foi dada por Edmund Ho indo ao encontro dos anseios do deputado Iong Weng Ian, que questionou o Chefe do Executivo sobre as medidas a aplicar nesta matéria, em virtude do abrandamento da economia local, à imagem do que se passa a nível mundial. «Todas essas obras foram iniciadas tendo em conta a evolução da sociedade e com a promessa de serem cumpridas. No próximo ano, o sector do jogo poderá ter um crescimento negativo, mas as receitas públicas do Governo da RAEM tem alguma folga. Por outro lado, com os saldos acumulados, temos adoptado uma política rigorosa e prudente para a sua utilização nos recursos». Ainda sobre as obras carácter social, justificou que a desaceleração não tem a ver com os capitais que são investidos, mas sim, com os procedimentos em si, que são morosos.

 

PEDRO DANIEL OLIVEIRA

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