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Maior encontro juvenil do mundo católico decorre em Sidney

Gregoriano e cantos Maori na abertura da JMJ

Milhares de jovens estiveram reunidos no passado dia 15, na cidade australiana de Sidney, para a missa de abertura da Jornada Mundial da Juventude (JMM) 2008, o maior encontro do género no mundo católico. A cerimónia, presidida pelo cardeal George Pell, arcebispo local, foi marcada pela atenção dada às comunidades aborígenes, com danças tradicionais em diversos momentos da celebração.

 

APÓS uma procissão com as bandeiras de todos os países presentes na JMJ, os principais símbolos da iniciativa – a cruz das Jornadas e o ícone de Maria – chegaram a Barangaroo após uma peregrinação de doze meses pela Austrália. Jovens aborígenes cantaram uma música tradicional de boas-vindas.

Ecrãs gigantes ao longo da cidade permitiram aos habitantes de Sidney acompanhar a celebração, onde foi sempre visível o carácter internacional deste acontecimento, com leituras em diversas línguas, incluindo o português.

Um total de 26 cardeais, 400 bispos e cerca de quatro mil padres deram vida, juntamente com mais de cem mil jovens, a uma das maiores celebrações da história da Austrália. A organização do evento prevê que, neste fim-de-semana, aquando das celebrações presididas pelo Papa, estejam no país peregrinos de quase 200 nações de todo o mundo.

Na sua homilia, o cardeal Pell partiu da imagem evangélica do Bom Pastor e da Ovelha Perdida, frisando que a mensagem de Cristo se dirige a todos, «em especial aos que não têm religião». O arcebispo de Sidney convidou os presentes a estarem «sempre abertos» ao Espírito Santo, na linha do que tem sido a preparação para a JMJ 2008, sempre dedicada à reflexão sobre a terceira pessoa da Trindade. E pediu aos jovens para não se deixarem dominar pelo conformismo: «Não passeis a vida sem tomar posição, pensando que é melhor não escolher, porque é dando atenção aos compromissos assumidos que podereis viver em plenitude».

Num ambiente de grande festa, música e cor, a celebração misturou o gregoriano com cânticos e danças tradicionais aborígenes. Após a comunhão, um grupo de peregrinos da etnia Maori entoou um canto de acção de graças, em nome dos povos nativos da Nova Zelândia. Na apresentação das ofertas, os jovens representavam os cinco continentes.

Os peregrinos rezaram pela «unidade da Igreja», pelas «nações atingidas pela praga da guerra e do medo», pelos que vivem «na pobreza material ou espiritual» e pelos que perderam a vida por causa da sua fé em Jesus.

Terminada a celebração eucarística, iniciaram-se os eventos do Festival da Juventude, um pouco por toda a cidade, estando previstos mais de 160 concertos ao ar livre e que incluem os mais variados géneros: heavy metal, acid jazz, reggae, rap, gospel e gregoriano.

Além de figuras como Damien Leith, Guy Sebastian, Paulini, Tap Dogs, Diesel, Vanessa Amorosi e Joseph Gateau, os palcos contarão com alguns dos artistas cristãos mais importantes do momento. Este festival contará ainda com exibições de artes visuais, filmes, encontros nacionais, espectáculos de rua, workshops e uma expo de carácter vocacional.

Bento XVI envia SMS a jovens da JMJ

Bento XVI enviou a primeira mensagem de texto por telemóvel aos peregrinos presentes na JMJ, que desde a passada terça-feira (15 de Julho) até ao próximo Domingo (dia 20) está a decorrer em Sydney. As mensagens estão entre os serviços digitais oferecidos pela primeira vez durante o evento.

Diz aquela mensagem: «Jovem amigo, Deus e o seu povo esperam muito de vocês, porque têm dentro de si o dom supremo do Pai: o Espírito Santo – BXVI»

Os peregrinos também podem enviar mensagens especiais com pedidos de oração para os quatro ecrãs gigantes montados em redor de Sidney, nos principais locais que albergam os jovens.

Próxima JMJ deverá ser em Madrid

Entretanto o pe. Federico Lombardi, porta-voz da Santa Sé, referiu na passada segunda-feira, durante um breve encontro com a imprensa espanhola, que os jovens de Espanha terão «muito mais facilidade» em participar na próxima JMJ.

Segundo noticiou a agência católica de notícias espanhola Veritas, «ainda que não seja oficial», é quase certo que o Papa irá anunciar, ao concluir a JMJ de Sidney, que o próximo encontro irá ter lugar em Madrid.

Visita papal com atenção particular aos aborígenes australianos

A presença de Bento XVI na Austrália fica marcada por uma atenção particular para com os aborígenes, sendo de destacar que na missa de encerramento, na manhã do próximo Domingo, um grupo pertencente àquela etnia irá representar os povos nativos da Austrália.

Nos primeiros dias de repouso do Papa, após a longa viagem desde Roma a Sydney, o seu secretário de Estado, o cardeal Tarcisio Bertone, entretanto, visitou uma aldeia de aborígenes, acompanhado por alguns outros membros da comitiva papal.

Segundo revelou pe. Lombardi, Bento XVI irá abordar nos seus discursos a questão do respeito pelos aborígenes. Aliás, já em 2006, numa carta enviada aos bispos australianos, por ocasião dos 20 anos da visita de João Paulo II àquela País, Bento XVI tinha referido expressamente esta espinhosa questão, afirmando que «só através de uma disponibilidade para aceitar a verdade história, é possível chegar a uma sã compreensão da realidade contemporânea e aderir à visão de um futuro harmonioso».

Logo após ter pisado solo australiano, Domingo de manhã, em Darwin, para uma escala técnica do voo papal, Bento XVI recebeu como oferta uma réplica da Nossa Senhora dos Aborígenes, venerada pelos povos nativos da Austrália. A oferta foi feita pelo bispo católico local, D. Eugénio Hurley, que se declarou feliz pela oportunidade de acolher o Papa «em nome de todos os australianos», mas antes de mais «da população autóctone».

 

ECCLESIA

Comentários:

Rui Francisco - 18/07/2008
O APELO DO PAPA DEVERÁ SERVIR DE EXEMPLO A MUITOS CHEFES DE ESTADO QUE INFELIZMENTE NÃO FAZEM E PELO CONTRÁRIO INSINUAM E PROCURAM MUITAS DAS VEZES A VIOLÊNCIA E AS FORÇAS DAS ARMAS E DA VIOLÊNCIA.


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