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Primeiro, foi a confirmação do que considero vir a ser uma grande perda para a comunidade portuguesa local: a inevitável romagem de Pedro Moitinho de Almeida para outras paragens. Sorte de quem irá ter o privilégio de ser por ele representado em outros países. Segundo, teve a coragem de, na presença dos números um e dois do Governo de Macau, Edmund Ho e Florinda Chan, respectivamente, deixar assente que Portugal, «nas incumbências que lhe competem, nos termos da Declaração Conjunta Luso-Chinesa», irá seguir as eleições para o Chefe do Executivo e para a AL «com toda a atenção na certeza de que [...] será mais um passo na consolidação da RAEM, no respeito do princípio “um país, dois sistemas”, “Macau governado pelas suas gentes” e com “elevado grau de autonomia”». Terceiro, contrariou a ideia alimentada por certos núcleos da sociedade de que a comunidade portuguesa é um mal herdado do colonialismo ao afirmar: «desde a minha chegada, em plena crise da SARS, há mais de cinco anos, até agora, as mudanças são verdadeiramente impressionantes, seguramente sem paralelo em todo o mundo num tão curto espaço de tempo. Os portugueses, em geral, e os aqui residentes, em particular, têm um enorme orgulho em ser parte desse fenómeno, fruto de um processo de transição exemplar e do trabalho de todas as comunidades que fazem de Macau a sua casa». Quarto, foi capaz de defender o direito à liberdade de expressão, – tantas vezes anulado pelos ricos e poderosos do burgo, – sublinhando, a determinada altura, que «por vezes a comunidade portuguesa, e eu próprio, somos vistos como “críticos” de alguns aspectos desse desenvolvimento acelerado. [...] Mau seria que pessoas que amam Macau e estão empenhadas no seu progresso não expressassem as suas opiniões num espírito construtivo. [...] Como não podia deixar de ser, as transformações por que atravessa Macau atingem também a comunidade portuguesa. Do meu ponto de vista, e como é apanágio dos nossos concidadãos que constituem a diáspora, esta tem-se adaptado bem, mas a necessidade de se envolver cada vez mais na “coisa pública” e ser pró-activa é cada vez mais premente». Quinto, lembrou a importância de Macau nas relações entre Portugal e a República Popular da China, lançando o apelo ao Governo para este se empenhar em atribuir ao território «o papel de relevo que lhe cabe por direito próprio» no âmbito das comemoração dos «dez anos da transição de Macau» e dos «trinta anos do estabelecimento de relações diplomáticas» entre os dois Países. Apesar destas cinco ideias-chave terem sido expressas numa ocasião solene, de circunstância, resumem a postura assumida por Pedro Moitinho de Almeida ao longo dos últimos anos, sempre que chamado a servir Portugal. Com o «nosso» cônsul aprendemos que o império se desfez, mas a portugalidade, essa, nunca irá morrer. Obrigado por nos lembrar quem somos. A «gaffe» de Cavaco O presidente da República Portuguesa, Aníbal Cavaco Silva, cometeu, – segundo alguns Órgãos de Comunicação Social, – uma «gaffe» na véspera do 10 de Junho, ao afirmar que, embora estivesse ao corrente da greve dos camionistas, não queria alongar-se em comentário por estar a presidir ao «dia da raça», numa alusão ao Dia de Portugal. Se encararmos este episódio num perspectiva meramente sensacionalista, podemos adjectivá-lo de fascista, racista e xenófobo. No entanto, se o encararmos numa óptica livre e democrática, temos de aceitar aquela designação, uma vez que o Dia de Portugal, – e ninguém o pode negar, – é a glorificação da raça lusitana, a qual se distingue das demais, não pela cor, mas pela cultura, pelos valores transmitidos entre gerações. A polémica à volta das declarações de Cavaco Silva provam que, volvidos 34 anos do 25 de Abril, Portugal, – leia-se, os portugueses, – continua a viver amedrontado, com medo dos fantasmas do Estado Novo. Sempre que alguém fala em nacionalismo, patriotismo, cultura, raça, é alvo de censura por grande parte da sociedade civil, a qual apenas tolera tais conceitos se transpostos para a esfera futebolística. Repare-se: por altura dos campeonatos da Europa e do Mundo, a bandeira de Portugal é transformada em adorno obrigatório, os cartazes dos jogadores da Selecção enfeitam as paredes das escolas, a Nação pára, grita-se Portugal. Ora, como é futebol ninguém reclama. Agora tente-se o mesmo com a Cruz de Cristo e os retratos de Cavaco Silva e José Sócrates.... Concordo com a maioria dos pais quando culpam os governantes de não elevarem o ensino aos níveis de excelência de outrora, acabando, a longo prazo, por hipotecar o futuro do País. De facto, que tipo de políticos teremos no futuro, se a sociedade dá mais importância ao futebol do que à política? Há-de chegar o dia em que nas paredes das salas de aula dos estabelecimentos de ensino irão estar pregadas as fotografias do presidente da Federação Portuguesa de Futebol e do seleccionador de Portugal, separadas pelo símbolo da FPF. Enquanto esse dia não chega, cabe às escolas explicar às crianças que Cavaco Silva e José Sócrates não são jogadores de futebol, – embora «joguem» por equipas diferentes, – mas sim quem manda, quem as governa. O primeiro já provou ser um bom «ponta-de-lança»; o segundo continua a procurar a melhor posição em campo.
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Comentários:
Eduardo Ribeiro - 13/06/2008
Um bom registo. Bom artigo de opinião. Sobre a raça: realmente já cansam os tiques freudianos anti-Estado Novo. Cavaco, que tanto tem pugnado pelo envolvimento dos portugueses na res publica e para que se não conformem antes lutem por melhor, não podia deixar de dizer outra coisa, por aquelas ou outras palavras: há que ter raça! Raça, sainete, ânimo, vontade de vencer! Ter querido pôr na boca do Presidente dos Portugueses o que ele manifestamente não disse nem na cabeça não tinha, é politiqueirice da mais rasteira e...aí sim..., passadista! Já cansa.
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