Padre Bonifacio García Solís, Líder Dominicano da Província de Nossa Senhora do Rosário

PADRE BONIFACIO GARCÍA SOLÍS

Proclamar a Boa Nova a quem não conhece o Evangelho.

Instalar comunidades dominicanas em mais países asiáticos e ter missionários vocacionados para as novas gerações são os principais objectivos da Província de Nossa Senhora do Rosário, da qual Macau faz parte. A’O CLARIM, o líder provincial, padre Bonifacio García Solís, aborda vários aspectos da formação e fala dos desafios da evangelização e das preocupações imediatas da Ordem.

O CLARIMQue retrato faz da Província que lidera desde Agosto último?

Pe. BONIFACIO GARCÍA SOLÍS – Depois de vários anos desde que a Ordem nos pediu para deixarmos de aceitar candidatos na Ásia, de modo a facilitar o crescimento das novas entidades que foram criadas, no Capítulo realizado em 1997 o então Mestre da Ordem, Timothy Radcliffe, convidou a Província a redescobrir o carácter internacional que desfrutou desde a sua fundação em 1592. O processo tem sido longo e monótono. Uma série de questões foram levantadas, dado que o programa de promoção das vocações foi iniciado nesse Capítulo e os primeiros irmãos recebidos na Ordem. Vinte anos depois temos a alegria de ter recebido mais de cem irmãos na Província. Tanto assim é que um terço da Província já não é de nacionalidade espanhola.

CLO que mais falta fazer?

P.B.G.S. – Há ainda algo muito particular e próprio da Província de Nossa Senhora do Rosário: o de como transmitir o nosso particular carisma de sermos missionários para as novas gerações. Temos a necessidade urgente de utilizar estes irmãos nos países de origem para instalar as presenças da Ordem onde ela não estava presente, como por exemplo no Myanmar, na Coreia, em Timor-Leste, etc. No entanto, entendemos que o que aconteceu com a Província não é trabalho nosso, e não merecemos isso, mas sim o plano de Deus. Portanto, precisamos de estar atentos à orientação do Espírito para não trairmos o Seu plano e sermos capazes de reorganizar e planear a nossa missão de forma profética, procurando não apenas a nossa própria vontade, mas sim a Sua vontade.

CLPode concretizar?

P.B.G.S. – A resposta profética precisa de ter em atenção a inspiração do Espírito e manter uma disposição cuidadosa para ouvir as sugestões dadas pelos irmãos, pela Ordem e pelas igrejas locais. A nossa unidade implica a diversidade de culturas e a pluralidade de nacionalidades. Todavia, o nosso espírito é só um. Ou seja, o chamamento. É Jesus quem chama e é Ele que tem de mostrar o caminho. O nosso papel na Igreja e na Ordem não se limita à visão de um só homem, mas à resposta comum que devemos dar à presença de Deus na Igreja, obviamente fazendo tudo como sendo da nossa exclusiva responsabilidade, embora sabendo e aceitando que nada pode ser feito sem a Sua graça.

CLE quanto à formação?

P.B.G.S. – A Ratio Formationis Generalis e a Ratio Formationis Particularies especificam as normas gerais e os princípios que regem a formação religiosa e intelectual dos candidatos à Ordem. Não podemos insistir numa delas e votar a outra ao abandono. Temos a grande responsabilidade de ajudar os irmãos no processo de entender o que devem fazer e como devem tomar em consideração a sua formação e o sacrifício que isso implica. Ambos os aspectos das formações religiosas e intelectuais dos dominicanos entrelaçam-se de tal forma que não é possível separá-los.

CLNesse âmbito, ficou algo decidido no Capítulo Provincial realizado em Agosto último?

P.B.G.S. – Foram realçadas as directrizes gerais da formação, dada a diversidade de centros que existem na Província e a impossibilidade de ter um centro para todos os irmãos, obviamente tendo em consideração a vasta extensão da Província, presente em onze países e com uma variedade de línguas e estruturas de formação.

CLQuais os desafios a superar no que à evangelização diz respeito?

P.B.G.S. – Cada um dos países em que a Província de Nossa Senhora do Rosário está presente apresenta diferentes desafios à evangelização. Portanto, as comunidades [dominicanas] têm a responsabilidade de aprovar o programa pastoral e avaliá-lo anualmente para responder da melhor forma possível às necessidades da Igreja local. Por outro lado, é carisma particular da Província dar prioridade à proclamação da Boa Nova para aqueles que não ouviram falar do Evangelho em lugares como Taiwan, Myanmar, Japão, etc. Há outros [países ou regiões] em que as respectivas sociedades secularizadas requerem uma abordagem diferente.

CLQue outras áreas merecem a vossa atenção?

P.B.G.S. – Por não ser possível ter na mesma casa todos os que estão em formação, temos três casas distintas onde acomodamos os irmãos professos. Não é o ideal. Por sugestão do Mestre da Ordem temos que continuar a explorar os caminhos e as alternativas para que, tanto quanto possível, possamos colocar todos os irmãos em formação numa casa de modo a frequentarem o mesmo centro de estudos.

CLE quais as preocupações mais prementes?

P.B.G.S. – Dado que a Ordem publicou novas normas e directrizes para a formação intelectual e religiosa dos nossos irmãos, a Província terá que preparar as normas adequadas, adaptando a antiga Ratio Formationis Particularies às novas normas da Ordem. A situação actual da Venezuela é outro foco de preocupação, uma vez que os nossos irmãos não serão capazes de exercer o seu ministério, tendo em conta as necessidades de formação, sem assistência externa. Devemos também estar cientes do crescente número de irmãos idosos que precisam da nossa atenção e de cuidados fraternais.

PEDRO DANIEL OLIVEIRA

pedrodanielhk@hotmail.com

 

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