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Uma semana produtiva

Rota dos 500 Anos-Uma semana produtiva

A procura de uma vela principal de reserva parece estar mesmo embruxada. Primeiro havia uma que estava disponível e que nos servia, mas os funcionários da loja de produtos em segunda mão em Le Marin nunca a conseguiram encontrar. Depois lá encontrámos outra, mas quando a trouxemos para o nosso veleiro e a colocámos no mastro verificámos que as dimensões não eram as que constavam na identificação da mesma. A altura era similar e servia perfeitamente, mas o comprimento para a retranca ficou muito aquém do necessário. Era suposto ser de cinco metros e 30 centímetros mas quando a medi tinha apenas três metros e meio.

Tripulação adoentada

Rota dos 500 Anos-Tripulação adoentada

A Maria festejou o aniversário um pouco adoentada com febre e o nariz a pingar. A maleita passou por todos nós, tendo começado com a mãe, assim que chegou de Macau em meados de Dezembro, passando depois para mim durante o Natal e fim de ano, e para a Maria. Nos últimos dias, porque o tempo tem estado muito chuvoso e algo atípico com pouco Sol, piorou o estado de saúde. Por precaução, fomos com ela ao hospital para ver se o médico confirmava o nosso prognóstico: constipação.

A navegar em breve

Rota dos 500 Anos-A navegar em breve

Quando esta crónica for publicada estaremos, certamente, a um ou dois dias de zarpar para as Antilhas Holandesas. Uma segunda tentativa que espero que corra melhor do que a anterior. Pensamos ter tudo em ordem no veleiro mas, como a experiência nos tem ensinado, imprevistos acontecem nas piores alturas quando não se tem qualquer apoio oficial e dependemos apenas do nosso génio e do nosso curto orçamento.

A família está reunida desde meados de Dezembro e a Quadra Natalícia foi passada com grande animação e na companhia de um outro velejador português – um professor do Ensino Superior reformado que saiu de Portugal há uns anos com o seu pequeno veleiro de 33 pés (está à venda por um preço muito convidativo e em excelentes condições, apesar de ser um barco dos anos 70) e que já passou por Cabo-Verde, pelo Brasil (onde ficou mais tempo visto ser casado com uma senhora brasileira) e está agora nas Caraíbas. Conhecemo-nos aqui no ancoradouro de Fort de France, estava eu na faxina num final de tarde. Veio a nadar até ao nosso veleiro intrigado com a bandeira portuguesa.

Vela içada, roupa lavada e o Natal à porta

Rota dos 500 Anos-Vela içada, roupa lavada e o Natal à porta

Se na semana passada falava da chuva e da sua utilidade para algumas tarefas a bordo que necessitam de água doce, como, por exemplo, lavar a roupa, esta semana nem uma gota caiu que desse para guardar. A água entretanto armazenada foi utilizada para lavar a roupa, tarefa que nos ocupou (a mim e à Maria) quase toda a semana. A roupa era muita e como o estendal não é muito grande, nem a capacidade da máquina de lavar é grande (dois baldes de vinte litros, que são centrifugados pela força manual), tivemos de reparti-la por vários dias, separando-a por cores, adulto, criança, etc. Uns dias serviram para a deixar de molho e outros para a lavar, enxaguar e secar.

Chegou o Natal às Caraíbas

Rota dos 500 Anos-Chegou o Natal às Caraíbas

A última semana foi de suspense relativamente à rosca que encomendámos a um torneiro mecânico, essencial para que possamos reparar o estai de proa que – recorde-se – partiu na última viagem. Chegou com vários dias de atraso, para além de não servir. Apesar de ter sido reproduzida a partir da rosca original, parece ter uma pequeníssima diferença e não encaixa totalmente. Tentei enroscá-la mais do que uma vez, sendo que acabei por deformá-la. O material é menos resistente em comparação com a peça antiga. O parafuso precisa de enroscar, pelo menos, um centímetro e não entra nem um terço. O torneiro mecânico ficou de vir a bordo ver qual é o problema. Espero que resolva mais este contratempo, para que tudo volte a funcionar como inicialmente. Não irei forçar a solução porque esta é uma área em que não pode haver atalhos.

Acidente a bordo

Rota dos 500 Anos-Acidente a bordo

Os planos são sempre muito bonitos no papel mas muitas vezes acabam por sair furados. Estava tudo planeado e as condições atmosféricas eram as melhores, mas depois de seis horas de muita vela e mais de 30 milhas percorridas (das quase 450 que separam Martinica da primeira ilha das Antilhas Holandesas, Bonaire) o estai de proa que suporta o mastro e inclui o enrolador da vela da frente (genoa) partiu!

É um dos piores cenários a bordo, logo atrás da queda do mastro, rombo no casco ou incêndio.

Até às Antilhas Holandesas!

Rota dos 500 Anos-Até às Antilhas Holandesas!

Se tudo correr bem, conforme o esperado, quando esta crónica for publicada esperamos estar sãos e salvos nas Antilhas Holandesas, mais propriamente na ilha de Curacao. A saída da Martinica foi planeada para o passado sábado, tendo pela frente quatro ou cinco dias de vela com vento ameno e em boa direcção. Seguimos sozinhos – eu, a Maria e o Noel – apesar de termos tentado encontrar companhia para esta etapa.

Os últimos dias em Martinica foram passados a abastecer o veleiro, não só a pensar na viagem até Curacao, mas também com um olho na travessia do Pacífico, a realizar no próximo ano. A nossa “casa” está repleta de vinho, queijos, cerveja, massas, arroz e até sumos portugueses. Isto para além de carnes e enlatados de toda a espécie. A nível técnico, felizmente, está tudo bem, pelo que nada há a registar.

Quem vai ao mar, avia-se em terra

Rota dos 500 Anos-Quem vai ao mar, avia-se em terra

Como planeado, depois do atraso sofrido pelo mau tempo em St. Lucia estamos na ilha de Martinica, mais propriamente na vila de Sainte Anne. A travessia de Rodney Bay para este ancoradouro foi feita sem qualquer problema e em tempo recorde: pouco mais de quatro horas de vela, sempre com ventos a rondar os vinte nós. Tudo bem a bordo, um bom ângulo de vento e mar, se bem que este grande mas calmo. As condições apresentaram-se ideais para testar, mais uma vez, o piloto de vento, tendo o mesmo, desta feita, funcionado sem qualquer problema – um sinal de confiança de que pode ser usado horas a fio em travessias mais longas. Era algo que ansiávamos testar, pois agora poderá ser utilizado nas etapas nocturnas que se aproximam.

Retidos pelo mau tempo

Rota dos 500 Anos-Retidos pelo mau tempo

A vida nos barcos tem destas coisas. Como não se pode controlar os elementos somos obrigados a ser flexíveis. A nossa viagem para Martinica estava programada para o início desta semana mas, à última da hora, teve de ser alterada. Na noite anterior à nossa saída, e nós já com todos os procedimentos de imigração e alfândega tratados, uma das meninas do Gentileza adoeceu, tendo passado a noite com febre. Depois de uma breve conversa via rádio entre os dois barcos decidiu-se que até ela melhorar ficaríamos em St. Lucia.

De olhos no Pacífico

Rota dos 500 Anos-De olhos no Pacífico

Estamos em St. Lucia e por aqui devemos permanecer até ao final da primeira semana de Novembro, devido ao tempo alteroso que se vai sentindo. Durante toda a semana temos visto barcos a partir e a chegar, mas como viajamos tentando minimizar os riscos é preferível esperar até que o aviso para pequenas embarcações – emitido pelas autoridades marítimas francesas de Martinica – seja levantado. Depois, será mais seguro atravessar o canal. Disto demos conta aos nossos amigos do Gentileza, para no caso de quererem seguir viagem sozinhos.

Destino: Martinica

Rota dos 500 Anos-Destino: Martinica

O tempo tem passado num ritmo calmo, sem grandes sobressaltos, apesar de começar a estar um bocado ansioso por fazer a travessia para as ilhas holandesas e para o Panamá. Penso que só vou descansar e relaxar quando estiver ancorado do lado do Pacífico, esperando calmamente por uma janela meteorológica que permita realizar a viagem que nos levará às paradisíacas ilhas das Marquesas, já na companhia da NaE, em Abril-Maio (nunca antes devido ao perigo das tempestades). O reencontro familiar dar-se-á em Dezembro.

Outra vez em Bequia

Rota dos 500 Anos-Outra vez em Bequia

 

Escrevo estas linhas já ancorado na ilha de Bequia, em São Vicente, depois de termos passado pela ilha de União e de Mayreau, também do mesmo país.

Saímos de Carriacou (Granada), onde estivemos mais alguns dias, para além do programado. Primeiro, devido aos problemas eléctricos que já relatei na semana passada, e depois devido ao muito mau tempo que começou a assolar aquela zona. Terminada a intempérie foi altura de levantar âncora e seguir viagem, o que fizemos num dia bem cedinho, com intenções de ainda pararmos numa outra ilha (Sandy island) de Granada. Tal não chegou a acontecer porque estava muito vento e corrente muito forte. No entanto, como contávamos ancorar por ali e tinha ainda de tirar a capa da vela principal, tivemos mesmo de descer a âncora numa zona de corrente de quase três nós para levantarmos a vela.

De Grenada rumo ao Norte (com um princípio de incêndio a bordo)

Rota dos 500 Anos-De Grenada rumo ao Norte

Ao fim de vários adiamentos saímos de St. George, capital de Grenada, mas passado quase uma semana não fomos longe! Devido às más condições climatéricas, fomos obrigados a ficar na ilha de Carriacou mais tempo do que havíamos planeado. Apesar de termos verificado as informações meteorológicas e estarmos cientes de que seria uma janela muito curta, tínhamos a noção de que seria uma corrida contra o tempo para chegar a porto seguro na ilha de Carriacou. A tal peça do barco dos nossos amigos brasileiros demorou a chegar, o que impossibilitou que saíssemos dentro do prazo estabelecimento anteriormente.

O bote chegou, vamos zarpar

Rota dos 500 Anos-O bote chegou, vamos zarpar

A espera foi longa, cheia de peripécias, mas finalmente acabou. O novo bote está na nossa posse depois de ter sido encomendado em Junho, ou Julho, já nem me lembro muito bem. Após uma entrega que saiu gorada por defeito do produto, e depois de termos sido forçados a mudar os planos de saída de Grenada, devido ao adiamento da data de entrega do dito bote, que havia sido já pago na totalidade, acabámos por receber um exemplar maior do que inicialmente tínhamos planeado. A loja, para nos compensar pela espera e pelo transtorno causado, acabou por nos entregar um bote de dez pés pelo preço do encomendado inicialmente (oito pés).

Bote furado

Rota dos 500 Anos-Bote furado

Não fosse a minha pouca inclinação para o estilo melodramático até iria achar alguma piada, ou no mínimo entretenimento, ao que se tem passado nos últimos dias no que diz respeito ao novo bote.

Como sabem, se nos vêm acompanhando, depois de dois botes insufláveis decidimos que o próximo seria rígido e que nos desse a opção de o utilizar também, além do motor e dos remos, com vela. Assim, daqui a pouco tempo, poderemos iniciar a Maria na lides das velas – se bem que o conjunto de vela, mastro e retranca terá de ficar para mais tarde. Para já é mesmo só o bote porque motor e remos já temos.