Category Archives: Opinião

Bagaceiros, encenador Lagarto e o Paiva na NASA

Bagaceiros, encenador Lagarto e o Paiva na NASA

Em tempos assisti a um interessante documentário sobre uma casta muito especial de madeirenses. Falo dos ilhéus convertidos ao protestantismo no século XIX que, vítimas de perseguição, abandonaram o arquipélago em 1846, tendo buscado refúgio no continente americano numa peregrinação rumo a oeste. Primeiro em Trinidad e Tobago. Depois em Springfield, no Estado de Illinois. Daí para São Francisco foi um passo. E da Califórnia para o Havai, outro. Nessa ilha do Pacífico passaram a ser conhecidos por “bagaços” ou “bagaceiros”. Os responsáveis pelo termo pejorativo eram outros portugueses, madeirenses como eles, mas católicos, que tinham rumado ali em vagas sucessivas para trabalhar nas plantações da cana-de-açúcar na sequência de um acordo assinado entre os monarcas havaiano e português.

A questão do Graffiti

O que é arte e o que não é

O que é arte e o que não é.

Aqui há uns anos foi elevada à condição de manifestação artística uma das mais destrutivas formas de vandalismo que impunemente tem vindo a atentar contra o património arquitectónico e a poluir visualmente Portugal de norte a sul, com maior incidência nas zonas metropolitanas. Refiro-me aos graffiti sem nexo desenhados em tudo que seja parede acabada de pintar, granito secular, monumento, fachada de igreja, câmara municipal ou painel de azulejo de tradição muito nossa.

Segundas mãos e outras máquinas

Segundas mãos e outras máquinas

Num desses fascículos publicados nos jornais numa época em que se recorria a mil e tantas tentativas de vendas – sim, os tais que se encadernavam posteriormente dando origem a excelentes enciclopédias – fui confrontado com uma série de feitos da humanidade em determinadas áreas, facto que me provocou logo comichão na extremidade do lóbulo da orelha esquerda, sinal de curiosidade espevitada. Ora, apesar de se destinarem a leitores nacionais, embora a proveniência seja estrangeira (valham-nos os intérpretes!), nesses fascículos não se fazia uma única menção a portugueses ou a qualquer personagem que em Portugal tenha medrado.

Os bons, os maus e os assim, assim

Os bons, os maus e os assim, assim

De um tórrido e prolongado Verão que secou Portugal e criou condições para uma das maiores vagas de incêndios, que mataram dezenas de portugueses e desfizeram em cinzas uma grande parte das florestas, casas, fábricas e gado, passando pela recente tempestade denominada “Ana” que, ao passar pelo País, causou um morto, vários feridos e bastantes prejuízos materiais, Portugal tem sido uma vítima bem castigada pelas alterações climáticas, que alguns responsáveis pelo actual estado de coisas tentam minimizar.

Olhando em Redor

Agentes patogénicos

Agentes patogénicos

Não constitui surpresa que Sulu Sou tenha o seu mandato de deputado suspenso, em resultado da votação dos seus (até há dias) homólogos na Assembleia Legislativa. Sulu Sou pertence ao campo pró-democrata, razão pela qual não é alinhado com as oligarquias vigentes, sendo por isso “descartável”.

A oportunidade surgiu célere, pois nem teve tempo de aquecer o lugar no Hemiciclo. Fosse Sulu Sou um desses “patriotas” (quando lhes convém) – apenas para defenderem interesses corporativos ou de uns amigos abonados – e nada disto lhe teria acontecido, até porque não seria alvo do “Big Brother” local.

O “Super” Mário. De besta a bestial

O “Super” Mário. De besta a bestial

Se há dois anos alguém me dissesse que o ministro das Finanças de Portugal, Mário Centeno, iria ser escolhido, como foi, para presidente dos dezanove ministros das finanças da Zona Euro, acharia que se tratava de uma piada depreciativa para o sujeito. Isto porque, nessa altura, a desconfiança e difamação para com a actual solução governativa e para com as propostas do projecto do Governo imperava entre a imensa maioria dos restantes ministros das finanças da União Económica e Monetária, para quem a nossa política económica e social se afastava do rigor das regras estabelecidas por eles.

Olhando em Redor

Quanto vale uma vida humana?

Quanto vale uma vida humana?

O Circuito da Guia ceifou mais uma vida humana e outra vez no motociclismo. Daniel Hegarty estava consciente dos riscos a que estava sujeito ao competir em Macau. Lamento profundamente a sua morte. Assim como lamento profundamente as mortes passadas de outros pilotos, tanto de motos, como de carros, no nosso Grande Prémio.

Sejamos realistas! O Circuito da Guia não oferece praticamente nenhumas condições de segurança aos pilotos de motos, porque cada recta e cada curva é delimitada por uma parede ou por uma barreira de protecção, o que em si mesmo é sinónimo de fatalidade iminente.

Mentalidades a mudar

Mentalidades a mudar

A saída de Macau em 2014 apenas foi interrompida por uma breve passagem pelo território em finais de 2016. Tão repentina que adquiri o bilhete de avião numa sexta-feira para viajar no dia seguinte, chegando ao Terminal do Porto Exterior na segunda-feira de manhã. Era 19 de Dezembro, ainda a tempo de tratar dos assuntos oficiais que tinha na bagagem. No dia seguinte foi feriado e na quarta-feira, ao meio-dia, já estava em Hong Kong a apanhar um voo rumo a Londres, com destino a Lisboa. Portanto, foi uma passagem que nem deu para tomar o gosto às mudanças que se tinham registado em dois anos de ausência.

O que é um Artigo de Opinião?

O que é um Artigo de Opinião?

Um artigo de opinião, como o próprio nome já diz, é um texto eminentemente opinativo em que o autor expõe a sua perspectiva face a algum tema actual ou que entenda ser pertinente.

A finalidade destes artigos é a partilha de pontos de vista e análises sobre determinada temática, sem qualquer cariz comercial, reflectindo meramente a opinião pessoal sobre um determinado assunto, pelo que é sempre portador duma enorme subjectividade e por isso as ideias nele defendidas são da total responsabilidade do seu autor.

“Casos” e casos para todos os gostos

“Casos” e casos para todos os gostos

Num Portugal em que os escândalos é que vendem jornais e programas televisivos, os portugueses até se esquecem ou ignoram as boas e as verdadeiramente más notícias.

Podiam ter “pegado” no escândalo da Tecnoforma, uma empresa em que o anterior Primeiro-Ministro, Passos Coelho, era administrador e o seu amigo Miguel Relvas (lembram-se?) era secretário de Estado e responsável por um programa de fundos europeus ao abrigo do qual a Tecnoforma foi financiada entre 2000 e 2006 mas, salvo alguns jornalistas dedicados à informação, não o fizeram.

Casos antigos, males actuais

Um país por cumprir

Um país por cumprir

Na era do cinema duplex no centro comercial os cineclubes servem para vermos filmes como “Tarde Demais”, de José Nascimento, que reflecte as contradições deste Portugal da União Europeia minado por arcaísmos vários que teimam em não nos deixar. “Tarde Demais” conta-nos a história, em jeito semi-documental, de um caso que foi capa de jornais em 1995. A tragédia de quatro pescadores, náufragos, no meio do rio Tejo, com os trabalhos de terraplanagem no futuro Parque das Nações e a colocação dos pilares da ponte Vasco da Gama como pano de fundo. Apesar de estarem tão perto da cidade, dois dos pescadores acabariam por sucumbir.

O Nosso Tempo

A natureza e a mão humana

A natureza e a mão humana

Incêndios em Portugal. Mais uma tragédia, esta atrasada. O fatalismo de forças que não compreendemos e por isso não dominamos, ou o sinistro desígnio de mentes doentes e ou criminosas?

Desde o Verão que os ouvíamos e víamos, os canadair, sobrevoando a baixa altitude as nossas casas os ventres bojudos repletos de água, para ser despejada um pouco mais adiante nesses pontos de fumo que vislumbrávamos ao longe.

Portugal está em guerra!

Portugal está em guerra!

Neste Domingo fatídico, que se prolongou pela madrugada e manhã desta última segunda-feira, neste Outono de calor infernal a que as alterações climáticas nos obrigaram, Portugal ardeu!

Mais de 500 fogos activos, no dia do ano com mais incêndios florestais desde 2006, cerca de sete mil bombeiros no terreno, milhares de populares a colaborarem no ataque ao fogo, para além dos meios envolvidos no Centro e Norte de Portugal, o saldo, até ao momento é, mais uma vez, uma verdadeira tragédia: mais mortes, mais feridos, mais populações em pânico, muitos milhares de hectares de floresta ardida, casas, gado, fábricas e empresas reduzidas a cinzas.

A “poeira” das eleições

A “poeira” das eleições

Neste Outono, admiravelmente quente para uns e horrivelmente seco para outros, os portugueses dividem-se entre o prolongar do Verão estival nas praias e a preocupação com a seca e as suas consequências nas culturas vegetais, na criação do gado, na pesca, nos intermináveis incêndios, na insuficiência de água nas albufeiras, barragens, e na dificuldade em obter água potável.

Para os turistas, de todo o género, seis meses de Sol e calor colocaram Portugal na “zona do Equador” e no “top” das férias.

Crónica de Costumes

Das memórias e das modernidades

Das memórias e das modernidades

Entristece constatar alguma da memória dos macaenses de Hong Kong reduzida a uma arrastada “boua note” da etérea voz de Ray Cordeiro, que o pessoal da newsdesk da RTHK 4 – Samantha Butler, are u there? – pronunciam “Cardeiro”. Que se passa com estes bifes que jamais conseguem soletrar direito os sagrados nomes, apelidos e alcunhas que nos legaram os ancestrais? O Cordeiro a que me refiro, dinossáurico autor do espaço radiofónico “Nostalgia”, entre um Elvis e um Nat King Cole, tem a distinta ousadia de não encontrar réstia de espaço, fímbria de tempo, uma nano referência que seja para catapultar para as ondas hertzianas um samba, uma bossanovazita, um fado até, e porque não? Apesar de ser um incondicional fá do “Nostalgia” e da voz pausada e quente de Ray Cordeiro tinha de exprimir este desabafo.